Moçambique projecta para 2026 um cenário de crescimento económico moderado, aumento das exportações e maior entrada de investimento directo estrangeiro, segundo a apresentação da Primeira-Ministra Maria Benvinda Delfina Levi na Assembleia da República.
A governante sublinhou que o ano de 2026 será marcado por elevados desafios externos, mas também por oportunidades resultantes de reformas estruturais, expansão da produção nacional e maior dinamização de sectores estratégicos como energia, agricultura e indústria extractiva.
“Apresentamos uma proposta construída num contexto desafiante, mas orientada para garantir estabilidade macro-económica, crescimento e mais recursos para financiar sectores sociais”, afirmou a Primeira-Ministra.
Exportações devem atingir 8,4 mil milhões USD
O Governo prevê que, em 2026, as exportações de bens ascendam a 8,4 mil milhões de dólares norte-americanos, um aumento apoiado pelo desempenho dos mega-projectos e pela retoma gradual da produção mineral, energética e agrícola.
“Estimamos que o valor das exportações de bens atinja cerca de 8,4 mil milhões de dólares, impulsionado pelos sectores da indústria extractiva, energia e agricultura”, declarou Levi.
Este crescimento será essencial para reforçar as reservas internacionais, estabilizar o metical e sustentar o financiamento das importações de bens essenciais.
Investimento externo deve ultrapassar 5,8 mil milhões USD
O PESOE 2026 antecipa também um aumento da confiança dos investidores estrangeiros, com o país a registar um fluxo de 5,8 mil milhões USD em investimento directo estrangeiro (IDE), acima dos 4,8 mil milhões USD projectados para 2025.
O Governo atribui esta evolução à retomada de projectos estruturantes nas áreas de energia, gás, mineração e infra-estruturas logísticas.
“Esperamos que, em 2026, o país registe um fluxo de investimento directo estrangeiro líquido de mais de 5,8 mil milhões de dólares, influenciado pelos grandes projectos nos sectores de energia e hidrocarbonetos”, destacou.
Crescimento económico de 2,8% e reservas internacionais de 3,2 mil milhões USD
A Primeira-Ministra apresentou ainda as previsões macroeconómicas centrais para 2026:
PIB: crescimento de 2,8%, influenciado pela indústria extractiva (4,4%), construção (3,2%), agricultura (2,5%), pescas (3,6%) e prestação de serviços (4,1%).
Reservas Internacionais Líquidas: deverão atingir 3,2 mil milhões de USD, garantindo 4,4 meses de cobertura de importações essenciais.
Inflação: expectativa de se manter num dígito, situando-se nos 7,3%.
“Apesar de limitações, estamos focados em assegurar reservas robustas, inflação controlada e um crescimento que permita proteger os sectores sociais e o investimento público”, afirmou Levi.
Durante a apresentação, Levi destacou que o país prevê arrecadar 407 mil milhões de meticais em receitas totais — cerca de 24,9% do PIB — e realizar despesas de 520,6 mil milhões MT, o equivalente a 31,8% do PIB.
A diferença gera um défice orçamental projectado de 7,0% do PIB, inferior ao índice estimado para 2025 (8,2%).
“Este défice representa uma redução importante e traduz o esforço que o Governo tem vindo a empreender para reforçar a sustentabilidade fiscal”, disse.
Prioridades económicas: energia, pescas, agricultura e infra-estruturas
Entre as metas sectoriais para 2026, Levi destacou:
Pescas
Crescimento previsto: 3,6%, apoiado por:
licenciamento de 1.400 unidades produtivas,
capacitação de 12.500 piscicultores e pescadores,
emissão de 12.600 licenças marítimas,
certificação de 78 mil toneladas de produtos pesqueiros.
Indústria Extractiva
Crescimento previsto: 4,4%, impulsionado por:
aumento da produção de carvão, areias pesadas, ouro e rubi;
entrada de novas concessões;
funcionamento da infra-estrutura integrada de GPL, gás natural e petróleo leve em Inhassoro.
Energia
Crescimento previsto: 7%, com expansão da produção eléctrica e novas centrais.
Infra-estruturas económicas
Plano inclui:
asfaltar 294 km de estradas nacionais;
reabilitar 15 km de diques contra cheias;
construir 12 estações de monitoria de recursos hídricos;
implantar 21 sistemas de abastecimento de água;
iniciar a construção do Porto de Pesca de Angoche.
No encerramento da intervenção, a Primeira-Ministra reforçou:
“Continuaremos a adoptar medidas para consolidar a estabilidade macro-económica, diversificar a economia e fortalecer o ambiente de negócios, assegurando que o crescimento beneficie todos os moçambicanos.”