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Novo pacote fiscal projecta encaixe superior a 15 mil milhões MT em 2026

O novo pacote fiscal aprovado pela Assembleia da República deverá permitir um aumento da arrecadação em cerca de 15 mil milhões de meticais a partir de 2026, segundo projecções da Autoridade Tributária de Moçambique. As reformas incidem sobretudo na integração da economia digital no sistema tributário, no alargamento da base fiscal e no reforço da eficiência da cobrança, sem introdução de novos impostos, criando condições para maior sustentabilidade das finanças públicas.

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A colecta de receitas do Estado poderá crescer em cerca de 15 mil milhões de meticais a partir de 2026, como resultado directo das reformas tributárias recentemente aprovadas pela Assembleia da República, no âmbito do novo pacote fiscal proposto pelo Governo.

Segundo o porta-voz da Autoridade Tributária de Moçambique, Fernando Tinga, o principal mérito do pacote fiscal reside no facto de permitir o aumento da arrecadação sem a criação de novos impostos, apostando antes na integração de segmentos económicos que até então se encontravam fora do sistema tributário.

“Falo, por exemplo, da tributação digital. Graças a estas reformas foi possível trazer este segmento para o sistema tributário. O resultado expectável deste pacote é de cerca de 15 mil milhões, a partir de 2026”, afirmou Fernando Tinga, durante uma conferência de imprensa de balanço das actividades anuais da Autoridade Tributária.

Tributação digital no centro das reformas

A tributação da economia digital surge como um dos pilares centrais do novo pacote fiscal, num contexto em que plataformas digitais e serviços electrónicos registam crescimento acelerado, mas historicamente com baixa incidência fiscal.

A Autoridade Tributária acredita que o encaixe projectado poderá aumentar nos anos subsequentes, à medida que forem aprofundados os mecanismos de cobrança e fiscalização dos novos segmentos integrados.

Alguns analistas têm levantado preocupações quanto à capacidade interna de controlo das grandes empresas digitais, sobretudo no que respeita à tributação de plataformas internacionais.

Sobre este ponto, Fernando Tinga esclareceu que, no quadro da e-Tributação, será igualmente necessária a criação de plataformas próprias pelas operadoras, que deverão comunicar com a Autoridade Tributária.

“Um segmento específico das operadoras terá estrutura própria que deverá comunicar com a AT. Em ambos os casos, será necessário desenvolver outros mecanismos, sempre com o objectivo de garantir que todo o comércio digital seja do conhecimento da autoridade fiscal e que, havendo espaço legal, a tributação seja efectuada”, explicou.

Resultados operacionais reforçam capacidade de cobrança

Em termos operacionais, a Autoridade Tributária registou, em 2025, um total de 4.577 processos de contencioso tributário, que resultaram em 2,3 mil milhões de meticais.

No domínio das execuções fiscais, foram instaurados 4.254 processos, culminando na arrecadação de 38,6 mil milhões de meticais.

As acções de fiscalização incluíram ainda:

  • 422 auditorias, que geraram matéria colectável no valor de 6,6 mil milhões de meticais;

  • 325 apreensões de mercadorias, com valor aduaneiro estimado em 16,6 milhões de meticais.

O Governo considera que o novo pacote fiscal constitui um instrumento estruturante para o reforço da sustentabilidade das finanças públicas, ao alargar a base tributária, melhorar a eficiência da cobrança e acompanhar a evolução da economia, em particular nos segmentos digitais.

Com a entrada em vigor das novas disposições, 2026 deverá marcar um salto qualitativo na mobilização de receitas internas, reduzindo a dependência de financiamento externo e reforçando a autonomia financeira do Estado.