O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Empresários chamados a apoiar resposta nacional às calamidades naturais

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, apelou ao envolvimento activo do sector privado na resposta nacional às cheias e inundações que afectam várias regiões do país, defendendo a solidariedade empresarial não apenas como um gesto humanitário, mas como um investimento estratégico na estabilidade económica, na protecção do capital humano e na mitigação dos impactos das calamidades naturais.

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O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, apelou esta terça‑feira ao envolvimento activo do sector privado na resposta nacional às cheias e inundações que afectam várias regiões do país, defendendo a solidariedade empresarial não apenas como um gesto humanitário, mas como um investimento estratégico na estabilidade económica e social de Moçambique.

O apelo foi feito durante um encontro com representantes empresariais, no contexto do Alerta Vermelho decretado pelo Governo face às chuvas intensas que, desde Outubro de 2025, têm provocado perdas humanas, destruição de infra‑estruturas, interrupção de cadeias logísticas e prejuízos significativos à actividade produtiva, sobretudo nas regiões Centro e Sul.

Cheias com impacto directo na economia

Para além da dimensão humanitária, o Chefe do Estado alertou para os efeitos estruturais das intempéries na economia nacional, destacando a interrupção de troços da Estrada Nacional Número Um (EN1), principal corredor de circulação de pessoas e mercadorias. A situação tem condicionado o abastecimento de bens essenciais, aumentado os custos de transporte e pressionado os preços, num contexto já marcado por desafios macroeconómicos.

Como medida de mitigação, o Governo activou pontes aéreas entre Maputo e Xai‑Xai, através do Aeroporto Internacional de Chongoene, bem como ligações para Inhambane e Vilankulo, com tarifas especiais. A solução, embora necessária no curto prazo, representa custos acrescidos para o Estado e evidencia a vulnerabilidade das infra‑estruturas críticas face a eventos climáticos extremos.

Sector privado como parceiro do desenvolvimento

Na sua intervenção, Daniel Chapo defendeu que a resposta à actual crise exige uma actuação integrada entre o Estado, empresas e cidadãos, sublinhando que a protecção da vida humana é condição essencial para a preservação do capital humano e da capacidade produtiva do país.

“O que se perde em vidas, saúde e meios de subsistência traduz‑se, mais tarde, em perdas económicas difíceis de recuperar”, afirmou o Presidente, ao apelar para que as empresas contribuam não apenas com recursos financeiros, mas também com bens não perecíveis, medicamentos, água, vestuário e apoio logístico.

Este envolvimento, segundo analistas económicos, reforça o conceito de responsabilidade social empresarial como instrumento de desenvolvimento sustentável, num país altamente exposto aos riscos climáticos e onde as calamidades naturais continuam a representar um entrave recorrente ao crescimento económico inclusivo.

Dados que revelam a dimensão do choque económico‑social

De acordo com dados preliminares apresentados pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), desde o início da actual época chuvosa foram afectadas 645.781 pessoas, correspondentes a 122.863 famílias, tendo sido registados 112 óbitos, 99 feridos e três desaparecidos.

As cheias provocaram ainda danos extensos em habitações, infra‑estruturas sociais e económicas, áreas agrícolas e meios de subsistência, comprometendo a produção rural e agravando a insegurança alimentar em várias comunidades. Actualmente, mais de 91 mil pessoas encontram‑se acolhidas em 68 centros, maioritariamente escolas, o que cria riscos sanitários e limita o normal funcionamento do sistema educativo.

Especialistas defendem que a mobilização do sector privado em momentos de crise deve ser acompanhada por uma reflexão estrutural sobre investimentos em infra‑estruturas resilientes, seguros agrícolas, cadeias de abastecimento adaptadas às mudanças climáticas e mecanismos de financiamento de risco.

Nesse sentido, a convocatória presidencial surge como um sinal político de que a resposta às calamidades naturais não deve ser vista apenas como uma emergência temporária, mas como parte integrante da agenda de desenvolvimento económico e de previsibilidade para o investimento privado.

Com a intensificação de fenómenos extremos, Moçambique enfrenta o desafio de transformar a solidariedade ocasional em parcerias económicas duradouras, capazes de fortalecer a resiliência nacional e reduzir os custos económicos das tragédias cíclicas.