O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Moçambique e África do Sul reforçam integração económica no Fórum de Negócios

Moçambique e África do Sul reforçaram a cooperação económica no Fórum Bilateral de Negócios realizado em Vilankulo. O encontro reuniu Governo, sector privado e empresas dos dois países, destacando oportunidades em energia, agricultura, mineração, turismo, infra-estruturas e logística. Painéis dedicados ao comércio, retalho e agroprocessamento analisaram desafios logísticos e cadeias de valor estratégicas como arroz, algodão, mandioca e frutas. O evento encerra com a presença de Daniel Chapo e Cyril Ramaphosa, consolidando uma nova etapa de integração económica e expansão do comércio regional.

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Moçambique e África do Sul aprofundaram esta semana, em Vilankulo, província de Inhambane, a sua cooperação económica e comercial no Fórum Bilateral de Investimentos e Comércio, um encontro que consolidou a relação entre as duas maiores economias interligadas da África Austral.

A sessão de abertura foi presidida pelo Secretário de Estado do Comércio, António do Rosário Grispos, contando com a presença do Governador de Inhambane, Francisco Págula, do Presidente da CTA, Álvaro Massingue, do representante do sector privado sul-africano, Elias Monage, e do Director-Geral do Departamento de Comércio, Indústria e Concorrência da África do Sul, Simphiwe Hamilton.

O Fórum destacou a importância estratégica de sectores como energia, agricultura, indústria, mineração, turismo, infra-estruturas e logística, pilares que hoje moldam a balança comercial entre os dois países. Entre os produtos mais transaccionados destacam-se gás natural, electricidade, bananas, carvão-mineral, cabos de alumínio, viaturas e equipamentos industriais, indicadores da crescente integração produtiva entre Moçambique e a África do Sul.

Governo reforça compromisso com reformas económicas e industrialização

Na sua intervenção, o Governo moçambicano reafirmou que a melhoria do ambiente de negócios continua entre as principais prioridades nacionais. Foram destacadas reformas estruturantes como:

  • a nova Lei de Investimentos,

  • a modernização da Lei Cambial,

  • as Medidas para a Aceleração Económica (PAE),

  • e o programa “Industrializar Moçambique”, orientado para diversificar exportações e substituir importações.

As autoridades convidaram o sector privado sul-africano a expandir a sua presença nos sectores emergentes, nomeadamente agro-indústria, energia, turismo, logística, manufactura e tecnologias de informação, áreas com elevado potencial de investimento e crescimento.

Logística e comércio: custos, transporte e corredores no centro do debate

O Painel 2 – Facilitação do Comércio e Oportunidades no Retalho analisou desafios que condicionam a competitividade regional, com destaque para:

  • custos logísticos elevados,

  • tempos de trânsito longos,

  • necessidade de maior integração aduaneira,

  • fiabilidade dos corredores de transporte.

Moderado por Miguel Joia Santos (ExportaMoz), contou com intervenções de Bruno Comini (Câmara de Comércio de Inhambane) e da Agência de Transporte Rodoviário Transfronteiriço.
Os participantes defenderam o reforço da cooperação bilateral para acelerar operações transfronteiriças, reduzir custos e abrir novas dinâmicas de retalho e investimento privado.

Agroprocessamento ganha centralidade na cooperação bilateral

O Painel 3 – Cadeias de Valor no Agroprocessamento posicionou culturas como arroz, algodão, mandioca, frutas, vegetais, grãos e cana-de-açúcar como motores da industrialização regional.
O debate sublinhou que cadeias de valor fortes e financiamento adequado são determinantes para atrair investimento sul-africano e transformar a vocação agrícola de Moçambique em valor acrescentado, exportações e emprego local.

Participaram representantes de:

  • Tunísio Camba (ZEPA – Parque Industrial de Agroprocessamento),

  • Agência do Vale do Zambeze,

  • Filipe Raposo (Tongaat Hulett Moçambique),

  • Karel Mestdagh (QK Meats),

  • Zakhele Maya (Grupo Izindonga).

As intervenções convergiram num ponto: Moçambique reúne condições para se tornar um centro agro-industrial regional, desde que as cadeias de valor sejam robustas e a cobertura logística alinhada com as necessidades do sector produtivo.

Encerramento com Daniel Chapo e Cyril Ramaphosa reforça nova etapa económica

O Fórum encerra esta quarta-feira, 3 de Dezembro de 2025, numa cerimónia presidida pelo Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, e pelo Presidente da República da África do Sul, Cyril Ramaphosa.

O encontro marca o culminar da visita oficial de Ramaphosa a Moçambique (2–3 de Dezembro) e simboliza uma nova fase da integração económica bilateral.

O Governo moçambicano considera que o Fórum:

  • abre caminho para novos investimentos directos,

  • impulsiona corredores logísticos conjuntos,

  • promove maior integração das cadeias de valor,

  • e reforça o comércio transfronteiriço num momento em que Moçambique se afirma como plataforma logística da região.

Com localização privilegiada, infra-estruturas portuárias em expansão e reformas económicas em curso, Moçambique consolida o seu papel como ponto de ligação entre:

  • o oceano Índico e o interior da África Austral,

  • os mercados do Corredor de Maputo, Beira e Nacala,

  • as cadeias de abastecimento de energia, agricultura e indústria.

O Fórum Bilateral de Negócios confirma que Moçambique e África do Sul entram numa fase de cooperação mais profunda, assente em desenvolvimento económico, visão regional e competitividade partilhada.