Moçambique e África do Sul aprofundaram esta semana, em Vilankulo, província de Inhambane, a sua cooperação económica e comercial no Fórum Bilateral de Investimentos e Comércio, um encontro que consolidou a relação entre as duas maiores economias interligadas da África Austral.
A sessão de abertura foi presidida pelo Secretário de Estado do Comércio, António do Rosário Grispos, contando com a presença do Governador de Inhambane, Francisco Págula, do Presidente da CTA, Álvaro Massingue, do representante do sector privado sul-africano, Elias Monage, e do Director-Geral do Departamento de Comércio, Indústria e Concorrência da África do Sul, Simphiwe Hamilton.
O Fórum destacou a importância estratégica de sectores como energia, agricultura, indústria, mineração, turismo, infra-estruturas e logística, pilares que hoje moldam a balança comercial entre os dois países. Entre os produtos mais transaccionados destacam-se gás natural, electricidade, bananas, carvão-mineral, cabos de alumínio, viaturas e equipamentos industriais, indicadores da crescente integração produtiva entre Moçambique e a África do Sul.
Governo reforça compromisso com reformas económicas e industrialização
Na sua intervenção, o Governo moçambicano reafirmou que a melhoria do ambiente de negócios continua entre as principais prioridades nacionais. Foram destacadas reformas estruturantes como:
a nova Lei de Investimentos,
a modernização da Lei Cambial,
as Medidas para a Aceleração Económica (PAE),
e o programa “Industrializar Moçambique”, orientado para diversificar exportações e substituir importações.
As autoridades convidaram o sector privado sul-africano a expandir a sua presença nos sectores emergentes, nomeadamente agro-indústria, energia, turismo, logística, manufactura e tecnologias de informação, áreas com elevado potencial de investimento e crescimento.
Logística e comércio: custos, transporte e corredores no centro do debate
O Painel 2 – Facilitação do Comércio e Oportunidades no Retalho analisou desafios que condicionam a competitividade regional, com destaque para:
custos logísticos elevados,
tempos de trânsito longos,
necessidade de maior integração aduaneira,
fiabilidade dos corredores de transporte.
Moderado por Miguel Joia Santos (ExportaMoz), contou com intervenções de Bruno Comini (Câmara de Comércio de Inhambane) e da Agência de Transporte Rodoviário Transfronteiriço.
Os participantes defenderam o reforço da cooperação bilateral para acelerar operações transfronteiriças, reduzir custos e abrir novas dinâmicas de retalho e investimento privado.
Agroprocessamento ganha centralidade na cooperação bilateral
O Painel 3 – Cadeias de Valor no Agroprocessamento posicionou culturas como arroz, algodão, mandioca, frutas, vegetais, grãos e cana-de-açúcar como motores da industrialização regional.
O debate sublinhou que cadeias de valor fortes e financiamento adequado são determinantes para atrair investimento sul-africano e transformar a vocação agrícola de Moçambique em valor acrescentado, exportações e emprego local.
Participaram representantes de:
Tunísio Camba (ZEPA – Parque Industrial de Agroprocessamento),
Agência do Vale do Zambeze,
Filipe Raposo (Tongaat Hulett Moçambique),
Karel Mestdagh (QK Meats),
Zakhele Maya (Grupo Izindonga).
As intervenções convergiram num ponto: Moçambique reúne condições para se tornar um centro agro-industrial regional, desde que as cadeias de valor sejam robustas e a cobertura logística alinhada com as necessidades do sector produtivo.
Encerramento com Daniel Chapo e Cyril Ramaphosa reforça nova etapa económica
O Fórum encerra esta quarta-feira, 3 de Dezembro de 2025, numa cerimónia presidida pelo Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, e pelo Presidente da República da África do Sul, Cyril Ramaphosa.
O encontro marca o culminar da visita oficial de Ramaphosa a Moçambique (2–3 de Dezembro) e simboliza uma nova fase da integração económica bilateral.
O Governo moçambicano considera que o Fórum:
abre caminho para novos investimentos directos,
impulsiona corredores logísticos conjuntos,
promove maior integração das cadeias de valor,
e reforça o comércio transfronteiriço num momento em que Moçambique se afirma como plataforma logística da região.
Com localização privilegiada, infra-estruturas portuárias em expansão e reformas económicas em curso, Moçambique consolida o seu papel como ponto de ligação entre:
o oceano Índico e o interior da África Austral,
os mercados do Corredor de Maputo, Beira e Nacala,
as cadeias de abastecimento de energia, agricultura e indústria.
O Fórum Bilateral de Negócios confirma que Moçambique e África do Sul entram numa fase de cooperação mais profunda, assente em desenvolvimento económico, visão regional e competitividade partilhada.