O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

CTA inicia indução para negociações dos salários mínimos de 2026

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) iniciou o processo de indução para as negociações dos salários mínimos de 2026. O relatório do PES 2025 servirá de base para os reajustes, complementado por consultas às associações empresariais provinciais. Os empregadores alertam para desafios estruturais, como custos elevados e acesso limitado ao financiamento, defendendo reajustes sectoriais realistas. A CTA sublinha a necessidade de equilibrar melhoria das condições de vida dos trabalhadores com sustentabilidade das empresas, incentivando remunerações acima do mínimo nacional em empresas mais robustas.

01 de Abril_Prancheta 1 thumbnail

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) deu início ao processo de indução para as negociações dos salários mínimos referentes a 2026, num contexto marcado por desafios económicos persistentes e pela necessidade de equilibrar os interesses entre trabalhadores e empregadores.

Durante a sessão, a CTA apresentou o relatório do Plano Económico e Social (PES) 2025, documento que servirá de base para a definição dos reajustes salariais por sectores de actividade. O instrumento oferece uma visão abrangente sobre o desempenho económico recente e as perspectivas para os diferentes ramos produtivos.

Sector privado alerta para desafios estruturais

Os empregadores manifestaram abertura para o arranque das negociações, mas sublinharam que o processo decorre num cenário ainda condicionado por múltiplos choques económicos. Entre os principais constrangimentos apontados estão os custos operacionais elevados, limitações no acesso ao financiamento e a recuperação ainda lenta de alguns sectores.

Neste contexto, defendem que os reajustes salariais devem reflectir a realidade específica de cada sector, evitando pressões adicionais sobre empresas já fragilizadas.

Os dados do PES 2025 serão complementados por consultas directas às associações empresariais provinciais, com o objectivo de recolher contribuições mais próximas das dinâmicas locais e sectoriais.

Equilíbrio entre salários e sustentabilidade das empresas

A CTA defende que as negociações devem procurar um equilíbrio entre a melhoria das condições de vida dos trabalhadores e a sustentabilidade das empresas, salvaguardando postos de trabalho e a continuidade das actividades económicas.

Os empregadores apelam a um processo célere, pragmático e conduzido num ambiente de diálogo construtivo, paz social e harmonia laboral.

Por outro lado, a CTA encoraja as empresas com maior robustez financeira a praticarem remunerações acima do salário mínimo nacional, como forma de valorizar o capital humano e contribuir para o dinamismo da economia.

O arranque deste processo marca mais uma etapa importante no diálogo social em Moçambique, num momento em que o país procura consolidar a recuperação económica e reforçar a inclusão no mercado de trabalho.