A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) reuniu-se com o Gabinete de Implementação do Projecto Mphanda Nkuwa (GMNK), com o objetivo de explorar oportunidades de cooperação e identificar áreas de intervenção para empresas moçambicanas no âmbito do conteúdo local.
O encontro visou estabelecer uma parceria estratégica entre a CTA e o GMNK, garantindo que as empresas nacionais possam beneficiar das oportunidades de negócios geradas pelo projecto.
O Director-Geral do GMNK, Carlos Yum, apresentou o projecto, detalhando o plano de desenvolvimento social que inclui a formação de jovens locais. O investimento previsto no hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa é estimado entre 5 e 6 mil milhões de dólares, com capacidade instalada de cerca de 1.500 MW, e integra componentes de transporte e energia.
“O objectivo é não esperar pelo início da construção, mas iniciar já nesta fase de preparação, para que as empresas moçambicanas estejam aptas a aproveitar as oportunidades de negócios”, sublinhou Yum.
Conteúdo local e desenvolvimento do sector privado
O Presidente da CTA, Álvaro Massingue, reforçou a importância do projecto para o futuro económico de Moçambique, destacando o papel do sector privado na parceria com o Governo e investidores.
“Este projecto deve ser um verdadeiro motor de valorização do conteúdo local, assegurando a participação estruturada, competitiva e efectiva das empresas nacionais em toda a cadeia de valor, da construção à operação, da logística ao fornecimento de bens e serviços”, afirmou Massingue.
O dirigente enfatizou também a necessidade de transferência de tecnologia e do desenvolvimento de capacidades internas, com o objectivo de gerar emprego qualificado e sustentável no país.
Álvaro Massingue convidou ainda o projecto Mphanda Nkuwa a participar na Conferência Anual do Sector Privado (CASP), em Julho próximo, para apresentar os avanços do empreendimento e mobilizar o empresariado nacional a envolver-se ativamente.
O encontro reforça a estratégia de integração do conteúdo local nos grandes projectos de infra-estrutura e a importância de preparar as empresas nacionais para participar em projectos de grande escala, impulsionando o crescimento económico e a criação de emprego no país.
Equilíbrio entre salários e sustentabilidade das empresas
A CTA defende que as negociações devem procurar um equilíbrio entre a melhoria das condições de vida dos trabalhadores e a sustentabilidade das empresas, salvaguardando postos de trabalho e a continuidade das actividades económicas.
Os empregadores apelam a um processo célere, pragmático e conduzido num ambiente de diálogo construtivo, paz social e harmonia laboral.
Por outro lado, a CTA encoraja as empresas com maior robustez financeira a praticarem remunerações acima do salário mínimo nacional, como forma de valorizar o capital humano e contribuir para o dinamismo da economia.
O arranque deste processo marca mais uma etapa importante no diálogo social em Moçambique, num momento em que o país procura consolidar a recuperação económica e reforçar a inclusão no mercado de trabalho.