Moçambique registou um avanço relevante na preparação do seu capital humano para a indústria de Gás Natural Liquefeito (GNL), com o regresso ao país, de uma delegação composta por 14 técnicos de diversas instituições públicas, após a conclusão de uma formação especializada em GNL, realizada em Tóquio, no Japão.
A iniciativa insere-se na estratégia de reforço da capacidade técnica e institucional do Estado para responder às exigências crescentes dos megaprojectos de gás, considerados estruturantes para o desenvolvimento económico nacional.
A delegação integrou quadros do Tribunal Administrativo, dos Ministérios da Economia e das Finanças, da Autoridade Tributária de Moçambique, da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, E.P. (ENH), e do Instituto Nacional de Petróleo (INP), reflectindo uma abordagem multissectorial orientada para a governação integrada do sector.
Cooperação Moçambique–Japão sustenta capacitação técnica
A formação enquadra-se no programa de cooperação bilateral, resultante de um Memorando de Entendimento entre a Japan Organization for Metals and Energy Security (JOGMEC), o Instituto Nacional de Petróleo (INP) e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), com foco na gestão eficiente, transparente e sustentável dos recursos energéticos do país.
Um dos pontos altos do programa foi a interacção directa com grandes operadores da indústria japonesa de petróleo e gás. No discurso de encerramento, o técnico do INP e representante da delegação, Neltone Foquiço, destacou a relevância da partilha de experiências e do contacto com práticas internacionais consolidadas.
“A partilha de experiências e o know-how da Mitsui Corporation, da JGC e da Tokyo Gas contribuíram de forma decisiva para o reforço das capacidades técnicas dos participantes.”
Foquiço sublinhou igualmente o interesse mútuo de Moçambique e do Japão no aprofundamento da cooperação bilateral no sector de petróleo e gás, com destaque para o apoio institucional de alto nível.
“A presença do Embaixador de Moçambique no Japão, Alberto Paulo, reafirma o compromisso do Governo em apoiar esta cooperação e em promover uma visão partilhada de progresso energético.”
PCA do INP destaca aplicação prática dos conhecimentos
A relevância da formação para o futuro do sector foi reforçada pelo Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Petróleo, Nazário Bangalane, que elogiou o desempenho dos participantes e apelou à aplicação efectiva dos conhecimentos adquiridos.
“É gratificante perceber que os integrantes da presente edição da formação JOGMEC tiraram o máximo partido desta oportunidade.”
Bangalane defendeu que os conhecimentos adquiridos devem ser aplicados de forma efectiva, sistémica e transversal nos diferentes sectores de actuação, reforçando a capacidade institucional do Estado.
Formandos sublinham impacto na governação e fiscalização
Os participantes regressam ao país munidos de uma visão mais abrangente e inovadora sobre a indústria do GNL. Para Luísa Nhanisse, a experiência foi transformadora, destacando o impacto directo na melhoria das metodologias de trabalho e na adopção de padrões internacionais de excelência.
No mesmo sentido, Adérito Matevele, da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), e Miguel Chamba, do Tribunal Administrativo, sublinharam o valor da imersão técnica proporcionada pela formação. Matevele destacou o aprofundamento dos aspectos técnicos e contratuais do sector a nível internacional, enquanto Chamba salientou a relevância do conhecimento adquirido sobre a arquitectura dos grandes contratos de GNL para o exercício eficaz das funções de fiscalização e controlo da legalidade fiscal e tributária.
Capacitação reforça gestão sustentável dos mega-projectos de GNL
A formação representa um contributo significativo para o fortalecimento institucional, ao dotar as entidades envolvidas de competências actualizadas e estratégicas, essenciais para a gestão sustentável dos projectos de Gás Natural Liquefeito em Moçambique.
Recorde-se que o curso integrou o programa de cooperação bilateral para a capacitação de quadros moçambicanos no sector de petróleo e gás, abrangendo temas que vão desde o desenvolvimento de recursos upstream até às tecnologias de liquefacção e gestão de projectos. No âmbito do Memorando de Entendimento, iniciativas similares deverão repetir-se nos próximos anos.