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Governo avança com seis reformas fiscais para reforçar arrecadação de receitas

Moçambique submeteu à Assembleia da República seis reformas fiscais que modernizam o sistema tributário, alinham o país à economia digital e reforçam a competitividade. As mudanças abrangem IVA, IRPS, IRPC, ISPC, ICE e Pauta Aduaneira. O IVA terá maior simplificação e mecanismos digitais; IRPS e IRPC ajustam regras para rendimentos digitais e mais-valias; o ISPC torna-se mais claro para pequenos contribuintes; o ICE é prorrogado e reforçado; e a Pauta Aduaneira adequa-se à ZCLCA. O pacote avança justiça fiscal, amplia a base tributária e fortalece a arrecadação.

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Moçambique iniciou uma das mais amplas reformas fiscais da última década, com a submissão à Assembleia da República de seis propostas de alteração legislativa destinadas a modernizar o sistema tributário, reforçar a economia digital, ampliar a base fiscal e assegurar maior justiça e equidade na tributação.

As propostas foram submetidas com carácter de urgência pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, conforme o comunicado oficial da Presidência.

O pacote fiscal reflecte o compromisso assumido por Chapo no discurso de investidura em 15 de Janeiro de 2025, quando prometeu modernizar o regime fiscal moçambicano para alinhá-lo às exigências da economia digital e financeira contemporânea

Seis instrumentos legais serão reformulados

Segundo o comunicado oficial, o Presidente submeteu à Assembleia da República alterações aos seguintes diplomas:

  1. Pauta Aduaneira – artigos 21, 22 e 27;

  2. Imposto sobre Consumos Específicos (ICE) – incluindo artigos 14, 23, 30 e 36;

  3. Imposto Simplificado para Pequenos Contribuintes (ISPC) – artigos 2, 3, 4, 8, 9, 10, 11 e 12;

  4. Código do IVA;

  5. Código do IRPS;

  6. Código do IRPC.

Estas reformas têm como objectivo central adaptar o sistema fiscal à economia digital, aumentar a eficiência administrativa e corrigir distorções que afectam a competitividade das empresas.

Reforma do IVA: digitalização, dedução e submissão electrónica

Uma das alterações mais estruturantes incide sobre o IVA, que será modernizado para:

  • tributar transacções associadas à economia digital;

  • reforçar a equivalência entre liquidação e dedução;

  • simplificar a submissão electrónica de facturas;

  • eliminar distorções entre regimes especiais e gerais.

A actualização procura tornar o IVA mais eficiente e adaptado a sectores em rápido crescimento, como comércio electrónico, serviços digitais e plataformas tecnológicas.

IRPS e IRPC: redistribuição, residência fiscal e tributação de mais-valias

As reformas incluem ajustamentos profundos nos impostos sobre rendimento:

IRPS – Pessoas Singulares

  • redefinição dos critérios de residência fiscal;

  • clarificação da tributação de rendimentos digitais;

  • introdução de tributação autónoma de mais-valias;

  • actualização das taxas e obrigações declarativas.

IRPC – Pessoas Colectivas

  • eliminação de distorções entre regimes especiais e gerais;

  • tributação autónoma de mais-valias;

  • adaptação do código à economia digital;

  • reforço dos mecanismos de controlo e transparência.

Estas medidas procuram reduzir assimetrias e garantir que todos os contribuintes participam de forma justa no esforço fiscal nacional.

ISPC: regime simplificado para apoiar micro e pequenas empresas

A revisão do ISPC pretende facilitar a formalização económica e reduzir encargos para pequenos negócios.
As mudanças introduzem:

  • clarificação de taxas aplicáveis,

  • eliminação de ambiguidades normativas,

  • regras mais simples e previsíveis de enquadramento.

O objectivo é integrar mais pequenos contribuintes no sistema formal, aumentando a base tributária e promovendo inclusão económica.

Pauta Aduaneira: integração plena na ZCLCA

A alteração à Pauta Aduaneira alinha Moçambique ao Calendário de Desarmamento Tarifário da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), o maior mercado integrado do continente, com mais de 1,3 mil milhões de consumidores.

A medida harmoniza códigos pautais, ajusta direitos aduaneiros e prepara o país para:

  • maior circulação de bens,

  • redução de barreiras alfandegárias,

  • maior competitividade das exportações,

  • entrada mais eficiente em cadeias de valor regionais.

ICE: controlo reforçado e prorrogação até 2027

O Governo propõe prolongar a vigência das taxas do Imposto sobre Consumos Específicos (ICE) até 2027, introduzindo:

  • revisão de isenções,

  • ajustamento de taxas,

  • maior controlo sobre produtos sensíveis como bebidas alcoólicas, tabaco, combustíveis e veículos.

O objectivo é tornar o ICE um instrumento mais eficaz de gestão de consumos e de arrecadação.

Reformas reforçam a meta de justiça fiscal e competitividade económica

Segundo o comunicado oficial, as reformas submetidas materializam o compromisso presidencial de construir um sistema fiscal mais moderno, transparente e alinhado às necessidades da economia digital e financeira actual.

As expectativas do Governo incluem:

  • maior eficiência na arrecadação,

  • redução de assimetrias entre contribuintes,

  • reforço da competitividade empresarial,

  • estímulo ao comércio regional,

  • melhoria da confiança no sistema fiscal,

  • criação de um ambiente mais previsível para investidores.

Com este pacote de seis reformas estruturantes, o país posiciona-se para fortalecer as suas receitas internas, dinamizar o sector privado e consolidar um sistema fiscal mais inclusivo, digital e orientado para o crescimento económico.

Trata-se de um passo essencial para sustentar o desenvolvimento, reforçar a confiança institucional e preparar Moçambique para competir num mercado cada vez mais integrado e tecnológico.