O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Serviços garantem mais de 40% do PIB

O sector dos Serviços consolidou-se como o principal motor da economia moçambicana em 2024, assegurando mais de 40% do PIB. Apesar da desaceleração do crescimento global, o sector terciário manteve resiliência, impulsionado pelo comércio, comunicações, finanças e turismo. A estabilidade macroeconómica — com inflação de 3,20%, reservas equivalentes a 5,2 meses de importações e crescimento da capitalização bolsista — reforçou a actividade. Para 2025, o Governo prevê expansão em turismo, logística, finanças digitais e TIC, mantendo os Serviços como eixo central da diversificação económica e do emprego urbano.

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O sector dos Serviços consolidou-se, em 2024, como o maior contribuidor para a economia moçambicana, assegurando mais de 40% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo a Conta Geral do Estado 2024 – Versão Auditada.
O resultado confirma a tendência estrutural da economia nacional, marcada pelo predomínio das actividades de comércio, transportes, comunicações, serviços financeiros, turismo e administração pública.

Mesmo num ano de crescimento económico moderado — 2,15% em 2024, contra 5,44% em 2023 — o sector terciário manteve-se como o principal sustentáculo do desempenho macro-económico.

A boa performance do sector dos Serviços reflecte vários factores positivos registados ao longo do ano, nomeadamente:

  • expansão das actividades de comércio e logística;

  • recuperação gradual do turismo e sectores associados;

  • dinamismo do sector financeiro, apoiado pelo ambiente de estabilidade de preços, aumento da poupança e valorização do mercado bolsista;

  • crescimento das comunicações e serviços digitais, impulsionado pela interoperabilidade e pelo avanço da digitalização financeira.

Num contexto em que sectores como a indústria transformadora e algumas cadeias agrícolas foram afectados por choques externos, os Serviços desempenharam um papel decisivo na estabilização económica.

Economia mantém estabilidade macro-económica

A CGE 2024 enfatiza que, apesar da desaceleração do PIB, Moçambique manteve um ambiente macroeconómico estável e favorável:

  • inflação média anual de 3,20%, uma das mais baixas dos últimos anos;

  • Reservas Internacionais equivalentes a 5,2 meses de importações;

  • crescimento do crédito à economia em 3,6%;

  • aumento expressivo da capitalização bolsista, que atingiu 30% do PIB.

Estes indicadores reforçam a confiança do mercado e criam condições para um ciclo de crescimento mais robusto nos próximos anos.

Com as reformas em curso nos sectores de administração pública, infra-estruturas, energia, finanças e digitalização, o Governo prevê que o sector dos Serviços continue a absorver a maior parcela da actividade económica em 2025.

As áreas com maior potencial de aceleração incluem:

  • turismo e hotelaria;

  • transportes e logística portuária;

  • serviços financeiros digitais;

  • consultoria, TIC e economia criativa;

  • educação e saúde privadas.

Estas actividades deverão reforçar a capacidade do país para gerar emprego urbano, atrair investimento e dinamizar cadeias de valor.

Sector terciário continua a ser o eixo da diversificação económica

A predominância dos Serviços reafirma a importância do sector como:

  • motor de criação de emprego urbano;

  • principal fonte de receitas fiscais;

  • plataforma de inovação e digitalização;

  • pilar de suporte às actividades produtivas e industriais.

Face a este peso crescente, torna-se essencial avançar com políticas públicas orientadas para:

  • melhoria da competitividade;

  • redução de barreiras regulatórias;

  • inclusão digital;

  • fortalecimento das micro, pequenas e médias empresas urbanas.

O desempenho do sector dos Serviços em 2024 reforça a necessidade de consolidar uma economia mais diversificada, moderna e resiliente — alinhada às metas estabelecidas no novo ciclo de governação económica nacional.