A empresa mineira South32 confirmou, através de um comunicado divulgado esta semana, a suspensão da produção na fundição de alumínio Mozal, situada na província de Maputo, devido à incapacidade de assegurar fornecimento de energia eléctrica suficiente e a preços competitivos.
Segundo a empresa, a unidade industrial foi colocada em regime de conservação e manutenção a partir de 15 de Março de 2026, após não ter sido possível alcançar um acordo energético que permitisse a continuidade das operações para além do actual contrato de fornecimento de electricidade.
De acordo com o comunicado, a Mozal manteve vários contactos com diferentes entidades para garantir o fornecimento de electricidade necessário à continuidade da produção de alumínio. Contudo, as negociações não resultaram num entendimento sobre um preço de energia que permitisse à fundição manter-se competitiva no mercado internacional.
A empresa refere ainda que o cenário energético se tornou mais complexo devido às condições de seca que afectaram a produção da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), de onde a Mozal obtinha grande parte da energia utilizada nas suas operações.
Empresa destaca contributo da Mozal
O vice-presidente de Operações da Mozal Aluminium, Samuel Gudo, destacou o papel histórico da fundição na economia nacional ao longo das últimas décadas.
“Estamos orgulhosos da história e do contributo significativo da Mozal para a economia moçambicana nos seus 25 anos de funcionamento.”
O responsável sublinhou ainda que, durante os últimos anos, a empresa manteve negociações com o Governo de Moçambique, a Eskom e outros intervenientes do sector energético com o objectivo de garantir um contrato que permitisse à Mozal continuar a operar de forma sustentável.
Uma das maiores indústrias do país
A Mozal é considerada uma das maiores unidades industriais de Moçambique, tendo desempenhado um papel importante na produção e exportação de alumínio primário para os mercados internacionais.
A fundição é maioritariamente detida pela South32, que possui cerca de 63,7 por cento do capital, enquanto a Industrial Development Corporation da África do Sul detém 32,4 por cento e o Estado moçambicano cerca de 3,9 por cento.
Com a decisão, a unidade passa a operar apenas em regime de conservação e manutenção, enquanto se avaliam alternativas para o futuro das operações.