O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Disponíveis 20 milhões USD para empresas moçambicanas

O Jornal O País reporta que o projecto “Mais Oportunidades”, financiado pelo Banco Mundial, disponibiliza 20 milhões USD em subvenções empresariais para Sofala, Manica, Gaza e Inhambane. A iniciativa inclui também 1 milhão USD para capacitação e integra um pacote de 200 milhões USD que cobre infra-estruturas e inclusão financeira. Inhambane lidera as empresas pré-seleccionadas, mas o incumprimento fiscal é o maior obstáculo ao acesso aos fundos. Empresários criticam morosidade e incoerências administrativas. O programa combina financiamento, formação e infra-estruturas para dinamizar cadeias de valor e estimular o desenvolvimento local.

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O sector privado moçambicano passa a contar com uma nova margem de apoio financeiro através do projecto “Mais Oportunidades”, uma iniciativa do Governo financiada pelo Banco Mundial e coordenada pelo Ministério das Finanças. A primeira fase prevê 20 milhões de dólares em subvenções directas para pequenas, médias e grandes empresas nas províncias de Sofala, Manica, Gaza e Inhambane, segundo avançou o Jornal O País.

A iniciativa faz parte de um pacote global próximo de 200 milhões de dólares, destinado a acelerar o crescimento regional nos sectores do turismo, agro-negócio e construção civil, áreas consideradas decisivas para a produtividade, o emprego e a diversificação económica.

Projecto integra financiamento, capacitação e infra-estruturas

A componente técnica do programa é liderada por Mário Ubisse, especialista em desenvolvimento do sector privado.
Segundo o Jornal O País, Ubisse explicou que o enfoque não está apenas na distribuição de fundos:

“O projecto actua em três áreas-chave: turismo, agro-negócio e construção civil. Além das subvenções, estamos a investir fortemente em capacitação, porque entendemos que não basta dar dinheiro; é preciso fortalecer as empresas para que saibam gerir e ampliar esses recursos.”

A capacitação já arrancou em Gaza, está em curso em Inhambane e deverá iniciar em Sofala nas próximas semanas.

No total, a primeira fase inclui:

  • 20 milhões USD em subvenções empresariais;

  • 1 milhão USD para capacitação;

  • um pacote estrutural de 200 milhões USD, que abrange infra-estruturas da “última milha” e iniciativas de inclusão financeira.

Inhambane lidera número de empresas pré-seleccionadas

Segundo o Jornal O País:

  • 393 empresas concorreram nas quatro províncias;

  • 138 foram pré-seleccionadas;

  • Inhambane representa quase um terço desse total;

  • 42 já estão a elaborar planos de negócio.

A distribuição sectorial segue o perfil económico de cada região:

  • Inhambane destaca-se no turismo;

  • Gaza avança no agro-negócio;

  • a construção civil mantém peso transversal devido à expansão urbana e obras públicas.

Cumprimento fiscal torna-se principal obstáculo

Apesar do interesse empresarial, o grande bloqueio identificado pelo Ministério das Finanças é o incumprimento fiscal.

Mário Ubisse reforça que o acesso às subvenções exige regularidade tributária:

“Estamos a falar de fundos públicos, administrados pelo Ministério das Finanças. Uma empresa que não cumpre as obrigações legais terá, naturalmente, dificuldades para aceder a este financiamento. Muitos empresários não conseguem apresentar evidências do cumprimento fiscal, e isso compromete seriamente as suas candidaturas.”

Empresários apontam morosidade e incoerências administrativas

O Presidente do Conselho Empresarial de Inhambane, Abdul Razak, destaca limitações no processo de comunicação:

“Temos muitos fundos lançados, mas o problema é a demora e a falta de comunicação. Não se pode deixar um empresário dois ou três meses sem saber se foi ou não aprovado.”

Razak identifica ainda incoerências entre o sistema fiscal e os requisitos bancários:

“Muitas microempresas são registadas no modelo 10 nas Finanças, mas quando chegam aos bancos pedem o modelo 20. Isto cria uma barreira desnecessária.”

E reforça:

“O verdadeiro bloqueio é o modelo fiscal que não conversa com a realidade do empresariado local.”

Projecto pode tornar-se motor regional de crescimento

Segundo o Jornal O País, o encontro com empresários decorreu num ambiente de expectativa elevada, sobretudo em Inhambane, província com forte vocação turística e crescente dinamismo agrícola.

O “Mais Oportunidades” é visto como uma oportunidade para:

  • consolidar empresas locais;

  • atrair investimento produtivo;

  • reforçar competências empresariais;

  • dinamizar cadeias de valor regionais.

Ao combinar financiamento, capacitação e infra-estruturas, o projecto pretende quebrar os principais entraves ao crescimento privado: fraca literacia financeira, má gestão, irregularidades fiscais e barreiras de crédito.

O desafio agora passa por garantir:

  • menos burocracia,

  • mais previsibilidade,

  • maior transparência,

  • decisões mais céleres.

Se Governo, parceiros internacionais e sector privado conseguirem alinhar-se, o “Mais Oportunidades” poderá evoluir de programa a instrumento estruturante de crescimento económico, emprego e desenvolvimento local.