Moçambique consolidou esta semana uma das maiores aberturas económicas do ano ao captar cerca de 10 mil milhões de dólares em interesse empresarial da Índia, com destaque para energia, gás natural, indústria farmacêutica, agro-indústria e serviços técnicos especializados.
O sinal de confiança foi reforçado durante o Fórum de Negócios Índia–Moçambique, realizado em Maputo, que reuniu investidores, associações empresariais e representantes governamentais dos dois países.
A aproximação ocorre num momento em que Moçambique acelera a industrialização, relança projectos energéticos de grande escala e procura diversificar exportações para mercados estratégicos.
Potencial agrícola coloca Moçambique no centro do interesse indiano
O Secretário de Estado do Comércio, António do Rosário Grispos, destacou que a agricultura continua entre os principais atractores de investimento, dada a sua capacidade de gerar emprego, aumentar produção e expandir exportações.
“Moçambique tem cerca de 35 milhões de hectares férteis, sendo um dos poucos países em África e no mundo com esta quantidade de terras cultiváveis. Os nossos índices de produção ainda são extremamente baixos. Convidamos as empresas indianas a virem, de preferência em parceria com os moçambicanos, para explorarmos esse potencial agrícola e alcançarmos a auto-suficiência alimentar.”
Moçambique já é um dos maiores fornecedores de pó de dhal para a Índia e exporta castanha de caju, gergelim e feijões.
Segundo o Governo, a capacidade produtiva pode triplicar com investimento em irrigação, sementes melhoradas e agro-processamento.
Energia e gás sobem ao topo da carteira de interesse indiano
Com o relançamento dos mega-projectos da Bacia do Rovuma, avaliados em mais de 50 mil milhões USD, empresas indianas demonstram interesse crescente em integrar:
cadeias de fornecimento do gás natural,
serviços industriais especializados,
engenharia, manutenção e infra-estruturas energéticas,
soluções de energias renováveis,
apoio à indústria pesada.
O Conselho Empresarial da Índia identificou ainda oportunidades imediatas na produção de medicamentos, equipamentos hospitalares, diagnóstico clínico e tecnologias aplicadas ao sector da saúde.
Durante o fórum, o Presidente do Conselho, Shivank Goael, reforçou o potencial:
“Acredito que existem oportunidades imediatas, a médio e longo prazo em Moçambique, especialmente no sector da saúde. A saúde inclui diagnósticos, hospitalidade e indústria farmacêutica, há muito por desenvolver. Na agricultura, a pesca e a tecnologia de sementes resistentes a doenças representam áreas de grande potencial.”
CTA defende nova etapa da cooperação económica com complementaridade natural
O comércio bilateral Moçambique–Índia ultrapassou 800 milhões USD em 2024, impulsionado sobretudo por produtos agrícolas e bens de capital.
Contudo, segundo a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), o potencial é significativamente superior.
O Presidente da CTA, Álvaro Massingue, afirmou:
“É hora de elevar esta parceria para um novo patamar. Moçambique dispõe de 36 milhões de hectares de terras aráveis, recursos hídricos abundantes e uma das costas mais extensas da África Austral. A Índia traz tecnologia agrícola acessível, sistemas modernos de irrigação e experiência consolidada em agro-processamento.”
A CTA considera que a nova fase da parceria deve priorizar:
infra-estruturas energéticas,
tecnologia agrícola,
produção farmacêutica,
logística e certificação,
irrigação,
transformação agro-industrial.
Estes sectores têm elevado impacto na produtividade nacional e na competitividade das exportações.
Um eixo estratégico para o desenvolvimento económico nacional
Com a Índia posicionada como parceiro económico prioritário, Moçambique reforça uma relação histórica com elevado potencial de expansão.
O interesse indiano pode acelerar:
a modernização da indústria farmacêutica,
o aumento da capacidade energética e do sector do gás,
a transformação da agro-indústria,
a industrialização local,
e a geração de emprego qualificado.
Para Moçambique, esta aproximação representa mais do que comércio: significa acesso a tecnologia, capital, mercados e conhecimento especializado, consolidando o país num ciclo económico global cada vez mais competitivo.