Moçambique deu início à reabilitação da Estrada Nacional Número 1 (EN1) no troço Gorongosa–Caia, numa intervenção avaliada em mais de 3,2 mil milhões de meticais, financiada pelo Banco Mundial e executada pela empresa chinesa RB-CRBC, ao abrigo de um contrato de 120 meses que inclui manutenção. A obra marca o arranque de um plano faseado que visa recuperar mais de 1.000 quilómetros da via estruturante do país.
A EN1 é o principal corredor rodoviário nacional, essencial para a circulação de mercadorias, integração de mercados e mobilidade de milhões de pessoas. O troço agora intervencionado é considerado crítico para as cadeias logísticas, o comércio interno e o escoamento da produção agrícola e industrial.
Durante o lançamento oficial, o Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, destacou a urgência da intervenção.
“A EN1 atingiu níveis inaceitáveis de degradação. Esta intervenção é essencial para garantir acessibilidade, inclusão económica e dignidade para as comunidades que dependem desta via.”
O governante acrescentou que o troço Gorongosa–Caia é vital para a economia por ligar zonas agrícolas, distritos densamente povoados e corredores comerciais regionais.
Estratégia faseada para maximizar impacto e garantir eficiência
O Governo adoptou uma abordagem faseada para reabilitar a EN1, priorizando segmentos com maior degradação e maior relevância económica. A opção resulta da pressão acumulada sobre a rede viária e das limitações de investimento registadas ao longo de vários anos.
Numa segunda intervenção, Matlombe reforçou:
“Estamos a iniciar pelos troços mais críticos para garantir intervenções realistas e responsáveis, alinhadas com a capacidade nacional de execução e manutenção.”
O contrato com a RB-CRBC inclui um período reforçado de manutenção, considerado essencial para assegurar durabilidade e reduzir custos futuros de reabilitação.
Défice histórico de infra-estruturas condiciona crescimento e competitividade
Moçambique possui cerca de 30.000 km de estradas classificadas, mas apenas 28% estão pavimentadas. Esta insuficiência afecta directamente:
custos logísticos,
acesso a mercados,
escoamento agrícola,
integração territorial,
capacidade industrial.
O Governo considera a EN1 o activo rodoviário mais estratégico para reduzir desigualdades, dinamizar mercados regionais e impulsionar cadeias produtivas em todo o país.
A intervenção no troço Gorongosa–Caia deverá proporcionar melhorias substanciais em:
transporte de pessoas e bens,
mobilidade da produção agrícola,
abastecimento dos centros urbanos,
segurança rodoviária,
redução de tempos e custos de viagem,
oportunidades económicas para PME e prestadores de serviços locais.
Em termos sociais, espera-se maior acesso a escolas, hospitais e serviços essenciais, além da criação de emprego directo e indirecto no decurso da obra.
Um pacote de 1.053 km financiado pelo Banco Mundial
O plano nacional de reabilitação da EN1 compreende 1.053 km, com um envelope estimado em 800 milhões de dólares, distribuídos em três fases.
Fase 1 – 508 km
Fase 2 – mais de 230 milhões USD
Rio Lúrio–Metoro
Gorongosa–Caia
Rio Save–Muxúngue
Muxúngue–Inchope
Fase 3 – 220 milhões USD
Muxúngue–Inchope
Pambara–Rio Save
Este é um dos maiores projectos rodoviários financiados pelo Banco Mundial em Moçambique na última década, demonstrando a confiança dos parceiros internacionais na estratégia nacional de modernização de infra-estruturas económicas.
Uma obra-símbolo de integração económica e independência logística
Para o Governo, reabilitar a EN1 representa muito mais do que reconstruir uma estrada: trata-se de reforçar a competitividade económica, garantir a circulação segura de mercadorias e consolidar um mercado interno funcional, capaz de sustentar o crescimento, a industrialização e a redução de desigualdades territoriais.
A intervenção no troço Gorongosa–Caia marca o início de um ciclo de investimento que pretende reposicionar a EN1 como o principal corredor económico, social e produtivo de Moçambique.