O Estado moçambicano está a mobilizar cerca de 550 milhões de dólares norte-americanos, equivalentes a mais de 35 mil milhões de meticais, para financiar a reconstrução e reabilitação de 566 edifícios públicos danificados ou destruídos em Dezembro de 2024, num esforço que terá impacto directo sobre o orçamento público, a execução do investimento estatal e a sustentabilidade fiscal.
A informação foi avançada pelo porta-voz do Governo e Ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa, após a conclusão do levantamento nacional dos danos às infra-estruturas do Estado.
Do total de edifícios afectados, 448 localizam-se nas províncias de Nampula e Zambézia, concentrando a maior parte das necessidades financeiras de reposição de activos públicos.
Em termos económicos, esta concentração territorial implica priorização regional do investimento público, com impacto na programação orçamental plurianual e na redistribuição de recursos entre sectores e províncias.
Distritos como Lalaua, Erati e Liupo, em Nampula, e Namacurra e Mocubela, na Zambézia, registam níveis de destruição que afectam directamente a capacidade funcional da administração pública, criando custos adicionais de operação e perda de eficiência institucional.
Avaliação financeira dos danos
Segundo o levantamento oficial, os danos directos causados às infra-estruturas públicas estão avaliados em cerca de 27 mil milhões de meticais. Contudo, o custo total de reposição — incorporando inflação dos materiais de construção, encargos logísticos, custos técnicos e ajustamentos de preços — eleva-se para aproximadamente 35 mil milhões de meticais.
Esta diferença evidencia o impacto da dinâmica inflacionária e dos constrangimentos logísticos sobre o investimento público, num contexto de pressão sobre as finanças do Estado.
A destruição de edifícios administrativos obrigou vários serviços do Estado a operar em instalações provisórias, com efeitos negativos sobre a produtividade administrativa, o atendimento ao cidadão e a execução de políticas públicas a nível local.
Do ponto de vista económico, esta situação traduz-se em:
aumento dos custos operacionais correntes;
perda de eficiência na arrecadação de receitas;
atraso na implementação de programas públicos;
menor previsibilidade na prestação de serviços essenciais.
Reconstrução como investimento de estabilização institucional
O Governo enquadra a reconstrução das infra-estruturas públicas como um investimento de estabilização institucional, necessário para restabelecer a capacidade do Estado de executar funções administrativas, fiscais e sociais.
“A prioridade é repor as condições mínimas para o funcionamento da administração pública nos distritos mais afectados”, afirmou Inocêncio Impissa.
A mobilização dos recursos será feita de forma faseada, em função das prioridades territoriais e da disponibilidade financeira, com impacto directo na reprogramação do investimento público nos próximos exercícios orçamentais.
A necessidade de mobilizar 550 milhões de dólares para reconstrução ocorre num contexto de restrições orçamentais, exigindo:
ajustamentos na despesa de capital;
eventual recurso a financiamento externo;
reorientação de projectos de investimento público;
reforço da coordenação entre planeamento, orçamento e execução.
Analistas consideram que, embora represente um choque fiscal relevante, o esforço de reconstrução é essencial para evitar custos económicos mais elevados no médio prazo, associados à disfunção prolongada da administração pública e à degradação do ambiente económico local.
Reconstrução como activo económico
A reposição das infra-estruturas públicas é encarada pelo Executivo não apenas como resposta emergencial, mas como reconstituição de activos produtivos do Estado, fundamentais para:
Neste enquadramento, a mobilização dos 550 milhões de dólares assume uma dimensão estrutural para a resiliência económica do Estado, condicionando decisões de política orçamental e de investimento público nos próximos anos.