O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Governo, CTA e OTM‑CS iniciam diálogo sobre salário mínimo

O Governo, a Confederação das Associações Económicas (CTA) e a Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical (OTM CS) vão iniciar em Abril negociações para a revisão do salário mínimo nacional. O processo terá como referência o desempenho económico de 2025, marcado por instabilidade e perturbações produtivas. O secretário geral da OTM CS, Damião Simango, apelou à preservação do poder de compra dos trabalhadores. O Executivo defende maior produtividade, formalização da economia e apoio às PME. O desafio será equilibrar melhores condições de vida com sustentabilidade empresarial e geração de emprego.

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O Governo, a Confederação das Associações Económicas (CTA) e a Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical (OTM‑CS) vão iniciar em Abril as negociações para a revisão do salário mínimo nacional, num contexto marcado por desafios macroeconómicos, desemprego e necessidade de reforço da produtividade.

As discussões terão como referência o desempenho económico de 2025, descrito como um ano atípico, marcado por instabilidade, manifestações pós‑eleitorais e perturbações nas cadeias produtivas. O Executivo sublinha que a revisão salarial deve equilibrar a protecção do poder de compra com a sustentabilidade das empresas.

O secretário‑geral da OTM‑CS, Damião Simango, disse:

“A classe laboral não pretende salários irrealistas, mas exige garantias de preservação do poder de compra dos trabalhadores.”

Simango apelou ainda para que o Governo mantenha o seu papel central na coordenação do processo, evitando decisões que comprometam a estabilidade social e económica.

Mercado de trabalho e reformas estruturais

O Executivo defende a consolidação de um mercado laboral mais resiliente, com prioridade para:

  • Requalificação profissional e transição para sectores emergentes.
  • Apoio às pequenas e médias empresas afectadas por crises recentes.
  • Reforço dos mecanismos de protecção social para trabalhadores vulneráveis.

O Governo sublinhou que 2026 exige maior articulação entre produtividade, investimento e formalização da economia, como forma de sustentar aumentos salariais consistentes sem comprometer o emprego.

A revisão do salário mínimo surge num momento em que o país procura acelerar a formalização da economia e reforçar a produtividade, num ambiente ainda condicionado por choques climáticos e tensões económicas.

O desafio central será encontrar um ponto de equilíbrio entre a melhoria das condições de vida dos trabalhadores e a capacidade das empresas em absorver aumentos de custos sem comprometer a geração de emprego.