O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Sistema ferro-portuário nacional atinge recorde de 60 milhões de toneladas

O sistema ferro-portuário nacional atingiu um recorde histórico de 60 milhões de toneladas movimentadas em 2024, impulsionado pelos corredores de Maputo, Beira e Nacala. O crescimento reforça a competitividade logística, a integração regional e a confiança dos investidores, reflectindo a resiliência do sector num contexto financeiro desafiante.

Porto de Maputo thumbnail

O sistema ferro-portuário nacional alcançou, em 2024, o maior volume global de carga alguma vez movimentado no país, atingindo 60 milhões de toneladas, segundo o empresário Fernando Couto. O resultado surge num ano marcado por fortes constrangimentos cambiais e pela necessidade de adaptação operacional das empresas que operam nos portos e corredores logísticos de Moçambique.

Fernando Couto afirma que a permanência de Moçambique na lista cinzenta do GAFI afectou de forma directa a estrutura de receitas das empresas, que deixaram de receber pagamentos em divisas e passaram a operar sob maior volatilidade financeira.

“Os investidores do sector ferro-portuário nacional tiveram de se adaptar, trabalhar mais e ir buscar maior volume de carga para compensar a queda de receitas em dólar, devido às restrições associadas à lista cinzenta”, disse Fernando Couto.

Segundo explicou, muitas decisões estratégicas tinham sido tomadas num contexto de câmbio mais alto, o que agravou os custos quando a taxa estabilizou.

“O problema não é apenas deixar de receber receitas em divisa; é o impacto do câmbio. Os custos foram calculados com um câmbio muito mais alto e depois houve uma descida acentuada, que afectou as contas das empresas”, falou.

Sector reinventou-se para captar mais cargas

Apesar dos constrangimentos, o empresário sublinha que as empresas do sector reorganizaram operações, optimizaram processos e foram buscar novos fluxos de carga provenientes de países da SADC, em particular Zimbabué, Malawi, Zâmbia e RDC.

“Trabalhámos mais, reinventámo-nos e fomos buscar mais carga. E conseguimos”, afirmou.

60 milhões de toneladas: o maior volume registado no país

De acordo com Fernando Couto, o esforço conjunto dos operadores ferroviários e portuários permitiu atingir um marco histórico:

“O sistema ferro-portuário nacional atingiu, em 2024, um volume global recorde de 60 milhões de toneladas de carga — um nível nunca antes alcançado”, disse.

O aumento substancial de mercadorias movimentadas reflecte a crescente procura dos portos moçambicanos como principais portas de entrada e saída para os mercados do hinterland. Os corredores de Maputo, Beira e Nacala foram decisivos, graças a avanços na circulação ferroviária, reorganização de terminais e maior eficiência portuária.

As melhorias incluem:

  • aumento da carga contentorizada e geral;

  • maior rotação de navios;

  • reforço da circulação ferroviária transfronteiriça;

  • captação de novos clientes regionais;

  • melhoria dos tempos de operação e serviços auxiliares.

O volume de 60 milhões de toneladas traduz-se em ganhos económicos relevantes:

  • aumento da receita portuária e ferroviária;

  • reforço da competitividade das exportações;

  • maior integração económica com países da SADC;

  • crescimento da confiança dos investidores;

  • criação de empregos directos e indirectos nas cadeias logísticas nacionais.

Analistas afirmam que o desempenho confirma a resiliência do sector ferroviário e portuário numa conjuntura financeira exigente, reforçando o papel de Moçambique como um corredor logístico estratégico da África Austral.