O turismo moçambicano está a afirmar-se como um dos motores da diversificação económica e do investimento privado no país. Entre 2018 e 2022, o sector captou mais de 1,1 mil milhões de dólares norte-americanos em investimento directo, tornando-se o terceiro maior receptor de capital privado nacional.
Os dados foram apresentados durante o Mozambique Tourism Summit 2025, realizado em Vilankulos, província de Inhambane, que reuniu Governo, sector privado e parceiros internacionais sob o lema “Inhambane – Um destino de excelência, um futuro de oportunidades”.
Turismo como pilar da economia nacional
O Ministro da Economia, Basílio Muhate, afirmou que o turismo deixou de ser apenas um sector de lazer para se tornar um vector estruturante da economia nacional, com impacto directo no crescimento, na criação de emprego e na inclusão social.
“O Governo assumiu o desenvolvimento sustentável do turismo como uma centralidade económica, pelo impacto que exerce nas infra-estruturas, na educação, na saúde, no agro-negócio e na indústria”, declarou o ministro.
A visão do Executivo está alinhada com a Agenda 2030 das Nações Unidas, a Agenda 2063 da União Africana e o Programa Quinquenal do Governo 2025–2029, que reconhecem o turismo como um dos motores do crescimento inclusivo e da coesão territorial.
“Queremos um turismo que valorize as comunidades, respeite o ambiente e promova o desenvolvimento inclusivo, combinando natureza e cultura como as nossas maiores riquezas”, acrescentou Muhate.
Impacto económico e indicadores de crescimento
No período pré-pandemia, o turismo representava 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e 32% das exportações de serviços, segundo dados da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).
Entre 2016 e 2019, o país recebeu, em média, dois milhões de turistas por ano, confirmando o potencial do sector como alicerce de desenvolvimento económico e de confiança dos investidores.
“As condições estão a ser criadas para transformar o turismo num verdadeiro motor da economia nacional”, destacou o ministro.
O evento contou com o envolvimento do Banco Mundial, que financia projectos de reabilitação da marginal de Vilankulos e melhoria da infra-estrutura turística na Praia do Tofo. Empresas como ENH, CFM, SASOL, BNI e PETROMOC reforçaram a presença do investimento corporativo, num sinal de confiança crescente do sector privado internacional.
Inovação e digitalização no centro da nova economia turística
O Vice-Presidente da CTA, Onório Manuel Boane, defendeu que o turismo do futuro dependerá da inovação tecnológica, da digitalização dos destinos e do reforço das parcerias público-privadas (PPP).
“As Parcerias Público-Privadas são o motor para transformar o turismo moçambicano, mobilizando recursos para infra-estruturas modernas, formação profissional e transformação digital dos destinos”, afirmou Boane.
A CTA apelou à criação de mecanismos de financiamento específicos para pequenas e médias empresas e projectos comunitários, de forma a garantir a inclusão e a sustentabilidade.
“Precisamos de colocar Moçambique no mapa digital do turismo global, com políticas e instrumentos financeiros alinhados com esta ambição comum”, acrescentou o dirigente.
Economia Azul e integração regional: os novos eixos de competitividade
Com 2.700 quilómetros de costa, ilhas paradisíacas e ecossistemas marinhos únicos, Moçambique tem na Economia Azul uma das suas maiores vantagens comparativas.
A CTA vê neste domínio uma oportunidade estratégica para posicionar o país como o epicentro do turismo costeiro e marítimo sustentável da África Austral.
“Com uma costa imensa e uma diversidade natural extraordinária, Moçambique pode tornar-se o coração azul do turismo africano”, afirmou Boane.
O dirigente defendeu também a adesão ao Mercado Único de Transporte Aéreo Africano (SAATM) e a simplificação dos vistos para aumentar a mobilidade e reduzir custos logísticos entre países africanos.
“O turismo floresce quando há mobilidade, cooperação e segurança. O Corredor Turístico Sul, que integra Maputo, Gaza e Inhambane, deve consolidar-se como eixo estratégico de investimento e crescimento”, reforçou o representante da CTA.
Chamada à acção e visão de futuro
“O Mozambique Tourism Summit 2025 não é apenas uma conferência — é um ponto de viragem. Temos uma oportunidade histórica de transformar potencial em progresso, intenção em investimento e visão em valor partilhado”, declarou Onório Boane.
O evento encerrou com um compromisso conjunto entre o Governo e o sector privado de consolidar o turismo como pilar da diversificação económica, reforçando a confiança dos investidores e promovendo um modelo de crescimento sustentável, digital e inclusivo.
Indicadores de impacto
+1,1 mil milhões USD em investimento directo entre 2018 e 2022.
4,5 % do PIB e 32 % das exportações de serviços provenientes do turismo.
2 milhões de turistas anuais, em média, antes da pandemia.
Economia Azul e digitalização entre os principais eixos de competitividade.
Expansão das PPPs em infra-estruturas e formação profissional.