O Governo de Moçambique e a empresa Gestão de Terminais de Serviços Aduaneiros (GTSA) firmaram um acordo de investimento de 2,2 mil milhões de dólares norte-americanos, destinado à modernização da fronteira de Ressano Garcia, uma das mais movimentadas da África Austral.
O investimento insere-se na estratégia de transformação do Corredor Logístico de Maputo, reforçando a eficiência aduaneira, a integração regional e o bem-estar dos profissionais afectos à zona fronteiriça.
Novo ciclo de concessão e modernização do KM4
O acordo, assinado sob liderança do Ministério dos Transportes e Logística, marca a extensão da concessão do Terminal KM4 à GTSA por mais dez anos.
O novo ciclo de gestão prevê o alargamento das vias de entrada e saída, a automação integral dos processos de controlo fronteiriço e a criação de infra-estruturas de apoio social e habitacional.
“Esta concessão demonstra que as parcerias público-privadas podem gerar valor partilhado. Modernizar o corredor é também valorizar os profissionais que asseguram o seu funcionamento diário”, afirmou João Matlombe, Ministro dos Transportes e Logística.
A requalificação do terminal inclui ainda a construção de uma fronteira turística de raiz e de um complexo habitacional com capacidade para 150 servidores públicos, garantindo melhores condições de trabalho e qualidade de vida para os funcionários.
Infra-estruturas e impacto regional
A modernização de Ressano Garcia é considerada um marco estratégico na política de facilitação do comércio regional e de integração económica na SADC.
Com a expansão do Porto de Maputo e a reabilitação da auto-estrada N4, o corredor passa a dispor de uma cadeia logística integrada, ligando o litoral moçambicano aos mercados da África do Sul, Essuatíni e Zimbabwe.
A GTSA comprometeu-se a introduzir um novo modelo de gestão digitalizada, com quatro faixas rápidas para carga em trânsito e sistemas automatizados de inspecção, o que deverá reduzir o tempo médio de cruzamento fronteiriço em até 40%.
“Com estas reformas, Moçambique reafirma-se como um país de conectividade regional, seguro e competitivo”, sublinhou João Matlombe.
Parceria público-privada com valor social
Além dos investimentos estruturais, o acordo estabelece uma componente social inovadora, que integra projectos habitacionais e programas de capacitação técnica para os funcionários públicos e comunidades locais.
“A modernização do KM4 vai além das infra-estruturas físicas: pretende-se criar soluções logísticas modernas que também valorizem o servidor público e as comunidades vizinhas”, explicou Sean Gent, Director-Geral da GTSA.
O Governo moçambicano considera a concessão um modelo de gestão eficiente e sustentável, que alia produtividade logística à responsabilidade social, consolidando o Corredor de Maputo como referência na África Austral.