O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

FDEL recebe mais de 112 mil projectos e procura supera em 12 vezes os fundos disponíveis

O FDEL recebeu mais de 112 mil projectos orçados em 10,1 mil milhões MT, confirmando uma procura 12 vezes superior à oferta. A iniciativa mobilizou cidadãos, cooperativas e microempresas em todo o país, com destaque para Nampula, Niassa e Inhambane. O programa destina 60% da carteira à juventude e mulheres empreendedoras, consolidando-se como um pilar de inclusão económica e geração de emprego local.

Web thumbnail

O Fundo para Desenvolvimento Económico Local (FDEL) registou uma procura sem precedentes, ao receber 112 197 projectos submetidos por cidadãos, associações e microempresas em todo o país.

O volume de propostas corresponde a 12 vezes mais do que os recursos financeiros disponíveis, demonstrando o forte interesse da população em aceder a oportunidades de financiamento produtivo e empreendedorismo local.

Empreendedorismo em expansão em todo o país

De acordo com o Ministério da Planificação e Desenvolvimento, os projectos submetidos totalizam 10,1 mil milhões de meticais, enquanto a dotação orçamental disponível é de 824,6 milhões de meticais.

Durante a sua intervenção na Assembleia da República, o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, destacou que o elevado número de candidaturas reflete a vitalidade económica das comunidades e a confiança no instrumento de financiamento.

“O número elevado de candidaturas mostra que o FDEL chegou às bases e despertou a energia empreendedora dos cidadãos”, afirmou Salim Valá.

Dos projectos recebidos, 67% foram apresentados por particulares, 32% por associações e cooperativas e 1% por micro e pequenas empresas.

As áreas mais procuradas são o comércio (35 501 projectos), agricultura (23 365), avicultura (8 556), serviços (7 839) e pecuária (6 095).

Distribuição geográfica e impacto comunitário

A província de Nampula lidera em número de projectos submetidos, com 37,8% do total nacional, seguida por Niassa (13%) e Inhambane (10,6%).

O processo de recepção das candidaturas contou com a colaboração de autoridades locais, rádios comunitárias e líderes tradicionais, garantindo maior abrangência territorial e inclusão social.

Em várias comunidades, o FDEL foi amplamente discutido em praças, mercados, escolas e administrações locais, tornando-se um símbolo de esperança e de oportunidades económicas para jovens e mulheres empreendedoras.

Com taxas de juro bonificadas de 5% e prazos de reembolso entre 12 e 24 meses, o Fundo apoia prioritariamente os sectores de agricultura, pescas, turismo, carpintaria, hotelaria e comércio.

Financiamento inclusivo e participação comunitária

Segundo o Ministro Salim Valá, cerca de 60% da carteira de financiamento será destinada à juventude, com prioridade para mulheres empreendedoras e cooperativas rurais.

“O FDEL é hoje uma das iniciativas mais inclusivas do Governo, promovendo o emprego e a inovação económica a partir das comunidades locais”, declarou Salim Valá.

A Comissão de Selecção de Projectos (CSP) está a proceder à análise técnica das propostas, com base em critérios de viabilidade económica, impacto social e sustentabilidade ambiental.

O Governo assegura que o processo será transparente, equitativo e descentralizado, consolidando o FDEL como um dos instrumentos de desenvolvimento participativo mais relevantes da actual legislatura.