Moçambique deu hoje um novo impulso à sua diplomacia económica com o arranque da VI Cimeira Bilateral Portugal–Moçambique, que marca o regresso do diálogo político ao mais alto nível após três anos. A deslocação do Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, ao Porto reforça a aposta do Governo na captação de investimento, na expansão das parcerias empresariais e na dinamização das reformas económicas em curso.
A Cimeira reúne cerca de 500 empresários moçambicanos e portugueses, constituindo uma das maiores plataformas recentes de contacto directo entre sectores privados dos dois países. Para Moçambique, trata-se de uma oportunidade estratégica para mobilizar capital, estimular novos acordos empresariais e acelerar projectos estruturantes em energia, indústria, agricultura, economia digital e infra-estruturas.
Diálogo político regressa com foco no investimento privado
A Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria dos Santos Lucas, destacou que esta Cimeira visa reposicionar a cooperação bilateral numa abordagem mais moderna, voltada para resultados económicos concretos.
“O que nós queremos é fazer uma avaliação das decisões que já foram tomadas na última binacional e depois ver as novas áreas de cooperação.”
A governante sublinhou ainda que o momento exige uma transformação no paradigma da cooperação entre os dois países.
“Passemos da ajuda ao desenvolvimento para a área de investimento e comércio, sobretudo apoio ao sector privado.”
Segundo Lucas, o regresso da Cimeira após três anos transmite uma forte mensagem de confiança na estabilidade política, institucional e económica de Moçambique, num período marcado pela aceleração das reformas fiscais, aduaneiras e regulatórias.
A Cimeira deverá culminar com a assinatura de cerca de 21 acordos, um marco considerado histórico pelas delegações. Os sectores abrangidos incluem:
educação e formação técnica;
saúde e medicamentos;
energia e transição energética;
agricultura e agro-indústria;
transformação digital;
gestão de infra-estruturas;
finanças públicas e governação económica.
Os acordos reforçam a estratégia do Governo moçambicano de privilegiar um modelo de cooperação baseado na industrialização, investimento privado e modernização institucional.
Fórum económico impulsiona confiança e novos investimentos
Em paralelo à Cimeira, decorre um fórum empresarial que reúne mais de 500 participantes, incluindo grandes empresas, PME, startups tecnológicas e investidores institucionais. O encontro concentra-se nos sectores com maior potencial de absorção de investimento estrangeiro:
energias renováveis e eficiência energética;
infra-estruturas logísticas;
indústria transformadora;
turismo e economia azul;
tecnologias e inovação digital.
As autoridades moçambicanas acreditam que as reformas recentemente desencadeadas criam condições para que o país consolide a sua posição como destino competitivo para investimento na África Austral.
A delegação moçambicana leva a Portugal uma agenda centrada na integração em cadeias de valor, no financiamento de projectos estratégicos e no reforço do ambiente de negócios.
A União Europeia e Portugal consideram Moçambique um parceiro estratégico em áreas como energia, agricultura, logística e digitalização — pilares essenciais para sustentar o crescimento económico e diversificar a base produtiva nacional.
Chapo reforça ligação com a diáspora e jovens quadros
Durante a visita, o Presidente da República reúne-se com a comunidade moçambicana residente em Portugal, com destaque para estudantes e jovens profissionais do Porto. O objectivo é mobilizar competências, criar pontes empresariais e incentivar projectos de inovação com ligação ao mercado moçambicano.
Com a assinatura prevista de 21 acordos, a forte mobilização empresarial e o diálogo político restaurado ao mais alto nível, Moçambique inaugura uma fase renovada da sua política externa, mais orientada para resultados económicos, competitividade e investimento produtivo.
A VI Cimeira Portugal–Moçambique reforça:
novos fluxos de investimento,
integração comercial,
dinamização industrial,
modernização institucional,
crescimento económico sustentável.
Moçambique posiciona-se, assim, como um actor económico relevante no espaço lusófono e europeu, num momento em que reformas estruturais, estabilidade macroeconómica e abertura ao sector privado serão determinantes para o futuro imediato.