O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Moçambique injecta 3,2 mil milhões MT na EN1 para recuperar o corredor económico mais importante do país

Moçambique iniciou a reabilitação do troço Gorongosa–Caia da EN1, num investimento superior a 3,2 mil milhões MT financiado pelo Banco Mundial. A obra, executada pela RB-CRBC, integra um pacote nacional de 1.053 km destinado a recuperar o corredor mais estratégico para a economia. O Ministro dos Transportes, João Matlombe, destacou que a via atingiu níveis críticos de degradação. A intervenção pretende melhorar logística, transporte de mercadorias, segurança rodoviária e acesso a serviços essenciais, impulsionando agricultura, comércio e integração regional.

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Moçambique deu início à reabilitação da Estrada Nacional Número 1 (EN1) no troço Gorongosa–Caia, numa intervenção avaliada em mais de 3,2 mil milhões de meticais, financiada pelo Banco Mundial e executada pela empresa chinesa RB-CRBC, ao abrigo de um contrato de 120 meses que inclui manutenção. A obra marca o arranque de um plano faseado que visa recuperar mais de 1.000 quilómetros da via estruturante do país.

A EN1 é o principal corredor rodoviário nacional, essencial para a circulação de mercadorias, integração de mercados e mobilidade de milhões de pessoas. O troço agora intervencionado é considerado crítico para as cadeias logísticas, o comércio interno e o escoamento da produção agrícola e industrial.

Durante o lançamento oficial, o Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, destacou a urgência da intervenção.

“A EN1 atingiu níveis inaceitáveis de degradação. Esta intervenção é essencial para garantir acessibilidade, inclusão económica e dignidade para as comunidades que dependem desta via.”

O governante acrescentou que o troço Gorongosa–Caia é vital para a economia por ligar zonas agrícolas, distritos densamente povoados e corredores comerciais regionais.

Estratégia faseada para maximizar impacto e garantir eficiência

O Governo adoptou uma abordagem faseada para reabilitar a EN1, priorizando segmentos com maior degradação e maior relevância económica. A opção resulta da pressão acumulada sobre a rede viária e das limitações de investimento registadas ao longo de vários anos.

Numa segunda intervenção, Matlombe reforçou:

“Estamos a iniciar pelos troços mais críticos para garantir intervenções realistas e responsáveis, alinhadas com a capacidade nacional de execução e manutenção.”

O contrato com a RB-CRBC inclui um período reforçado de manutenção, considerado essencial para assegurar durabilidade e reduzir custos futuros de reabilitação.

Défice histórico de infra-estruturas condiciona crescimento e competitividade

Moçambique possui cerca de 30.000 km de estradas classificadas, mas apenas 28% estão pavimentadas. Esta insuficiência afecta directamente:

  • custos logísticos,

  • acesso a mercados,

  • escoamento agrícola,

  • integração territorial,

  • capacidade industrial.

O Governo considera a EN1 o activo rodoviário mais estratégico para reduzir desigualdades, dinamizar mercados regionais e impulsionar cadeias produtivas em todo o país.

A intervenção no troço Gorongosa–Caia deverá proporcionar melhorias substanciais em:

  • transporte de pessoas e bens,

  • mobilidade da produção agrícola,

  • abastecimento dos centros urbanos,

  • segurança rodoviária,

  • redução de tempos e custos de viagem,

  • oportunidades económicas para PME e prestadores de serviços locais.

Em termos sociais, espera-se maior acesso a escolas, hospitais e serviços essenciais, além da criação de emprego directo e indirecto no decurso da obra.

Um pacote de 1.053 km financiado pelo Banco Mundial

O plano nacional de reabilitação da EN1 compreende 1.053 km, com um envelope estimado em 800 milhões de dólares, distribuídos em três fases.

Fase 1 – 508 km

  • Gorongosa–Caia (84 km)

  • Caia–Lote II (84 km)

  • Chimuara–Nicoadala (166 km)

  • Segmentos adicionais até Inchope

Fase 2 – mais de 230 milhões USD

  • Rio Lúrio–Metoro

  • Gorongosa–Caia

  • Rio Save–Muxúngue

  • Muxúngue–Inchope

Fase 3 – 220 milhões USD

  • Muxúngue–Inchope

  • Pambara–Rio Save

Este é um dos maiores projectos rodoviários financiados pelo Banco Mundial em Moçambique na última década, demonstrando a confiança dos parceiros internacionais na estratégia nacional de modernização de infra-estruturas económicas.

Uma obra-símbolo de integração económica e independência logística

Para o Governo, reabilitar a EN1 representa muito mais do que reconstruir uma estrada: trata-se de reforçar a competitividade económica, garantir a circulação segura de mercadorias e consolidar um mercado interno funcional, capaz de sustentar o crescimento, a industrialização e a redução de desigualdades territoriais.

A intervenção no troço Gorongosa–Caia marca o início de um ciclo de investimento que pretende reposicionar a EN1 como o principal corredor económico, social e produtivo de Moçambique.