O Relatório de Análise de Riscos Fiscais das Autarquias Locais, elaborado pelo Ministério das Finanças, revela níveis elevados de vulnerabilidade fiscal em grande parte dos municípios do país. O documento aponta fragilidades estruturais na gestão financeira municipal e defende o reforço da disciplina orçamental, do controlo da despesa e da sustentabilidade das finanças locais como condição para a estabilidade macrofiscal.
Um dos elementos mais críticos identificados no relatório é o peso da despesa com salários e remunerações. Em cerca de 71% das autarquias, a massa salarial ultrapassa os limites considerados sustentáveis, absorvendo grande parte da receita própria disponível.
Esta estrutura rígida da despesa reduz a capacidade de investimento municipal em infra-estruturas, saneamento, mercados, vias urbanas e serviços básicos, comprometendo os objectivos de desenvolvimento urbano e social.
O relatório aponta igualmente para um nível elevado de endividamento autárquico, com o stock da dívida total a representar cerca de 95% da receita própria agregada, sendo a maior parte constituída por dívidas a fornecedores e atrasos de pagamento.
As autarquias de maior dimensão económica concentram os montantes mais elevados de dívida, o que aumenta o risco sistémico e a probabilidade de pressão futura sobre o Orçamento do Estado.










