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ICM aposta na produção de cereais para reduzir dependência externa

O Instituto de Cereais de Moçambique (ICM) defendeu o reforço da produção nacional de cereais como estratégia para reduzir a dependência externa e fortalecer a segurança alimentar. O Director Geral, Luís Jobe Fazenda, destacou a necessidade de apostar em arroz, milho e feijão, além de culturas de rendimento como feijão bóer, soja e gergelim. O ICM sublinhou a importância de desenvolver a cadeia de valor agrícola, com armazenamento, processamento e comercialização estruturada. A iniciativa visa gerar emprego rural, aumentar a produção e contribuir para a resiliência económica nacional.

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O Instituto de Cereais de Moçambique (ICM, IP) defendeu o reforço da produção nacional de cereais como estratégia fundamental para reduzir a dependência das importações e fortalecer a segurança alimentar no país.

A posição foi apresentada pelo Director-Geral do ICM, Luís Jobe Fazenda, durante o fórum Thought Leadership Circle Mozambique, realizado a 9 de Março de 2026, em Maputo, que reuniu representantes do Governo, instituições financeiras, investidores e líderes empresariais para debater os rumos da economia moçambicana.

Durante a sua intervenção no painel subordinado ao tema “Motores da Economia: Sectores-chave para o próximo ciclo de crescimento”, o responsável destacou que a segurança alimentar deve ser encarada como um dos pilares estruturantes da estabilidade económica e social do país.

“O sucesso de Moçambique reside na produção agrícola profissional com fomento junto dos pequenos produtores, armazenamento estratégico, processamento industrial e comercialização agrária estruturada”, afirmou Luís Jobe Fazenda.

Segundo o dirigente, esta abordagem integrada pode contribuir para aumentar a produção de alimentos, gerar emprego nas zonas rurais e fortalecer a resiliência económica nacional.

Reduzir dependência de importações

O Director-Geral do ICM alertou para a elevada dependência externa de cereais, sobretudo do arroz, defendendo uma aposta mais consistente na produção nacional de culturas que integram a cesta básica, como arroz, milho e feijão.

Para o responsável, a expansão da produção destes produtos é essencial para garantir soberania alimentar e reduzir a pressão sobre a balança comercial.

Durante o encontro, o dirigente destacou ainda a necessidade de desenvolver a cadeia de valor agrícola, ligando de forma mais eficiente os pequenos produtores aos sistemas de armazenamento, processamento e comercialização.

Entre as prioridades apontadas estão o fortalecimento das infra-estruturas de armazenagem, a expansão do processamento agro-industrial e a criação de mecanismos logísticos que facilitem o escoamento da produção.

Culturas de rendimento também são estratégicas

Além da produção de cereais para consumo interno, o ICM defende também o reforço da produção de culturas de rendimento, como feijão bóer, soja e gergelim, que podem alimentar a indústria nacional e gerar receitas de exportação.

Segundo Luís Jobe Fazenda, Moçambique exporta anualmente cerca de 300 mil toneladas de feijão bóer para a Índia, o que representa receitas na ordem de 180 milhões de dólares, recursos que podem contribuir para equilibrar a balança comercial do país.

O Thought Leadership Circle Mozambique constituiu uma plataforma de diálogo entre decisores públicos e privados para discutir oportunidades e desafios da economia nacional.

O evento marcou igualmente o lançamento da nova edição da revista internacional The Business Year – Mozambique, dedicada à análise de sectores estratégicos como agricultura, energia e inovação digital.

Com a sua participação no encontro, o ICM reafirmou o compromisso de promover a segurança alimentar, dinamizar a comercialização agrícola e mobilizar investimentos para o sector dos cereais em Moçambique.