A economia azul representou, em média, 11% do Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique entre 2019 e 2023, segundo o documento “Conta Satélite da Economia Azul: 2019–2023, publicado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e pelo ProAzul.
A publicação revela que o sector ganhou peso e relevância estratégica, impulsionado pela produção hidroeléctrica, pelo turismo costeiro, pelas pescas, pela aquacultura e, mais recentemente, pela entrada do gás natural offshore no circuito produtivo.
Economia azul quase duplicou em quatro anos
De acordo com a Conta Satélite da Economia Azul: 2019–2023, o Valor Acrescentado Bruto (VAB)passou de 77,4 mil milhões de meticais em 2019 para 147,8 mil milhões em 2023, praticamente duplicando o tamanho económico do sector no período analisado.
O peso da economia azul no PIB subiu de 8% em 2019 para 11,1% em 2023, confirmando uma tendência sustentada de expansão, segundo o documento.
O relatório indica que a produção total anual associada à economia azul foi, em média, de 95 mil milhões de meticais, o equivalente a 8,4% do PIB nacional, durante o período 2019–2023.
Ainda segundo a Conta Satélite da Economia Azul, o sector respondeu por 9,5% do VAB nacional, comprovando o seu elevado grau de integração nas cadeias produtivas.
As actividades com maior contribuição foram:
Pesca, aquacultura e transformação – 26,4% do VAB;
Energia hidroeléctrica – 24,2%;
Recreio, desporto, cultura e turismo costeiro – 16,9%.
Em conjunto, estes três agrupamentos concentraram 67,5% do VAB da economia azul antes de 2022, segundo o exercício estatístico.
Entrada do gás offshore altera a estrutura do sector em 2022–2023
O documento confirma que, com o início da produção de gás natural offshore na Bacia do Rovuma (FLNG Coral Sul)em finais de 2022, houve uma reconfiguração profunda da economia azul.
Em 2023, o agrupamento das energias não renováveis marinhas passou a representar 34,6% do VAB, tornando o gás natural no sector isolado de maior peso dentro do agregado azul.
A Conta Satélite da Economia Azul: 2019–2023 mostra igualmente que o consumo das famílias em produtos da economia azul mais do que duplicou, crescendo de 33,2 mil milhões de meticais (2019) para 72,2 mil milhões (2023).
Os produtos da pesca e aquacultura representaram, em média, 73,5% do total do consumo interno ligado ao sector.
Exportações alcançam 116,6 mil milhões de meticais
As exportações de bens associados à economia azul atingiram 116,6 mil milhões de meticais em 2023, de acordo com o exercício estatístico.
O desempenho foi puxado por:
Gás natural: 59,9% do total exportado;
Electricidade: 37,5%, proveniente das grandes barragens nacionais.
Segundo o documento, este resultado permitiu a obtenção de um superavit comercial de cerca de 70 mil milhões de meticais, o primeiro excedente expressivo registado pelo sector.
Mais de 280 mil unidades económicas dependem da economia azul
A Conta Satélite identifica a existência de:
16 397 entidades formais, ligadas sobretudo ao turismo costeiro, pesca industrial, construção naval e logística portuária;
264 000 entidades informais, maioritariamente envolvidas na pesca artesanal, transformação e comércio de pescado.
Somados, os dois segmentos representam mais de 280 mil unidades económicas directamente ligadas ao mar e às águas interiores.
Segundo o documento, Moçambique posiciona-se entre os países africanos pioneiros na medição estatística da economia do mar.
O país apresenta um peso da economia azul superior ao de Estados Unidos, Canadá e Portugal, e aproxima-se de referências continentais como Seychelles e Tanzânia.