O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Economia mostra sinais de recuperação no último trimestre

A economia moçambicana apresentou sinais de recuperação no último trimestre de 2025, impulsionada pela indústria extractiva tradicional e pelo sector terciário. A inflação manteve-se controlada em 4,83%, o Metical permaneceu estável e o PMI situou-se acima dos 50 pontos, indicando expansão da actividade empresarial. Contudo, a dívida pública interna continua a ser o maior risco macroeconómico, ao atingir 465,8 mil milhões MZN, pressionando a liquidez e as taxas interbancárias. A previsão para 2026 aponta para inflação baixa e crescimento moderado, condicionado por riscos fiscais, climáticos e de reposição da oferta.

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A economia moçambicana registou sinais claros de recuperação no último trimestre de 2025, impulsionada pela melhoria da indústria extractiva tradicional e pelo dinamismo crescente do sector terciário. A conclusão consta do Relatório de Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflação (CEPI) do Banco de Moçambique, publicado em Novembro, que indica que o PIB continua em território positivo, mesmo quando excluída a produção de gás natural liquefeito (GNL).

Segundo o Banco Central, o desempenho económico dos últimos meses deverá superar o registado no mesmo período de 2024, reflectindo melhor desempenho na mineração, comércio, transportes e serviços auxiliares.

“Prevê-se que o PIB continue em território positivo no quarto trimestre de 2025, sustentado pelo efeito base e pela melhoria do desempenho da indústria extractiva tradicional e do sector terciário.” — CEPI

O indicador de actividade empresarial, o Purchasing Managers Index (PMI), reforça esta tendência ao manter-se acima dos 50 pontos em Outubro, sinal de expansão económica.

Inflação controlada reforça espaço para política monetária

A trajectória de desinflação continua favorável. Em Outubro, a inflação anual recuou para 4,83%, ligeiramente abaixo dos 4,9% de Setembro, impulsionada pela queda dos preços de bens administrados, sobretudo serviços de comunicação e tarifas reguladas.

A inflação subjacente, que exclui alimentos voláteis e bens administrados, também desceu para 6,23%, confirmando a tendência geral de estabilidade.

O inquérito de expectativas macro-económicas do Banco Central aponta para uma inflação de 5,25% em Dezembro, uma subida marginal de 20 pontos base face à projecção anterior, variação considerada sazonal e sem impacto relevante no quadro macro-económico.

Mercado cambial estável sustenta previsibilidade

O Metical manteve-se estável face ao dólar norte-americano, com a taxa média de referência a fixar-se em 63,91 MZN/USD, o mesmo valor registado em Setembro.

Face ao rand sul-africano, observou-se uma depreciação moderada de 2,2%, alinhada com padrões regionais.

A estabilidade cambial permanece uma das principais âncoras do país, contribuindo para:

  • contenção da inflação,

  • previsibilidade para empresas,

  • maior confiança dos agentes económicos.

Contudo, o relatório alerta que a dívida pública interna atingiu 465,8 mil milhões de meticais em Novembro, um acréscimo de 50,3 mil milhões face ao final de 2024.

Os atrasos de pagamento pelo Estado estão a afectar a liquidez bancária e a dificultar a descida mais rápida das taxas de juro.

Taxas de juro descem, mas crédito continua caro

Entre Setembro e Novembro, as taxas MIMO e de operações de recompra de curto prazo caíram entre 50 e 70 pontos base, fixando-se em 9,75%.

As taxas de juro de retalho também recuaram:

  • empréstimos a 1 ano desceram para 17,91%,

  • taxas de depósitos caíram para 4,90%.

Apesar da tendência de queda, o spread bancário permanece elevado, mantendo o crédito inacessível para grande parte das empresas e famílias.

Perspectivas: inflação baixa e crescimento moderado em 2026

O Banco de Moçambique antecipa que a inflação permanecerá em um dígito no médio prazo, apoiada por:

  • estabilidade cambial,
  • queda dos preços internacionais de combustíveis e alimentos,
  • continuidade das medidas de política monetária.

Quanto ao crescimento económico, a previsão é de expansão moderada, impulsionada por reposição da capacidade produtiva, execução de projectos estruturantes e melhoria gradual das condições de mercado.

No entanto, persistem riscos relevantes:

  • atrasos na gestão da dívida pública,
  • choque climático esperado para o início de 2026,
  • lentidão na recomposição da oferta de bens e serviços,
  • conjuntura internacional desfavorável.

Sinais positivos, mas fragilidades persistem

O último trimestre de 2025 combina indicadores de melhoria com desafios macroeconómicos:

Sinais de recuperação

  • Aumento da actividade extractiva e dos serviços;
  • PMI acima dos 50 pontos;
  • Estabilidade cambial;
  • Inflação controlada.

Fragilidades estruturais

  • Dívida interna elevada;
  • Spreads bancários ainda altos;
  • Riscos externos ligados à desaceleração global.

A economia moçambicana encerra 2025 com sinais visíveis de recuperação, mas ainda dependente de estabilidade fiscal, melhoria da liquidez financeira e execução contínua de reformas estruturais.