A economia moçambicana registou sinais claros de recuperação no último trimestre de 2025, impulsionada pela melhoria da indústria extractiva tradicional e pelo dinamismo crescente do sector terciário. A conclusão consta do Relatório de Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflação (CEPI) do Banco de Moçambique, publicado em Novembro, que indica que o PIB continua em território positivo, mesmo quando excluída a produção de gás natural liquefeito (GNL).
Segundo o Banco Central, o desempenho económico dos últimos meses deverá superar o registado no mesmo período de 2024, reflectindo melhor desempenho na mineração, comércio, transportes e serviços auxiliares.
“Prevê-se que o PIB continue em território positivo no quarto trimestre de 2025, sustentado pelo efeito base e pela melhoria do desempenho da indústria extractiva tradicional e do sector terciário.” — CEPI
O indicador de actividade empresarial, o Purchasing Managers Index (PMI), reforça esta tendência ao manter-se acima dos 50 pontos em Outubro, sinal de expansão económica.
Inflação controlada reforça espaço para política monetária
A trajectória de desinflação continua favorável. Em Outubro, a inflação anual recuou para 4,83%, ligeiramente abaixo dos 4,9% de Setembro, impulsionada pela queda dos preços de bens administrados, sobretudo serviços de comunicação e tarifas reguladas.
A inflação subjacente, que exclui alimentos voláteis e bens administrados, também desceu para 6,23%, confirmando a tendência geral de estabilidade.
O inquérito de expectativas macro-económicas do Banco Central aponta para uma inflação de 5,25% em Dezembro, uma subida marginal de 20 pontos base face à projecção anterior, variação considerada sazonal e sem impacto relevante no quadro macro-económico.
Mercado cambial estável sustenta previsibilidade
O Metical manteve-se estável face ao dólar norte-americano, com a taxa média de referência a fixar-se em 63,91 MZN/USD, o mesmo valor registado em Setembro.
Face ao rand sul-africano, observou-se uma depreciação moderada de 2,2%, alinhada com padrões regionais.
A estabilidade cambial permanece uma das principais âncoras do país, contribuindo para:
Contudo, o relatório alerta que a dívida pública interna atingiu 465,8 mil milhões de meticais em Novembro, um acréscimo de 50,3 mil milhões face ao final de 2024.
Os atrasos de pagamento pelo Estado estão a afectar a liquidez bancária e a dificultar a descida mais rápida das taxas de juro.
Taxas de juro descem, mas crédito continua caro
Entre Setembro e Novembro, as taxas MIMO e de operações de recompra de curto prazo caíram entre 50 e 70 pontos base, fixando-se em 9,75%.
As taxas de juro de retalho também recuaram:
empréstimos a 1 ano desceram para 17,91%,
taxas de depósitos caíram para 4,90%.
Apesar da tendência de queda, o spread bancário permanece elevado, mantendo o crédito inacessível para grande parte das empresas e famílias.
Perspectivas: inflação baixa e crescimento moderado em 2026
O Banco de Moçambique antecipa que a inflação permanecerá em um dígito no médio prazo, apoiada por:
- estabilidade cambial,
- queda dos preços internacionais de combustíveis e alimentos,
- continuidade das medidas de política monetária.
Quanto ao crescimento económico, a previsão é de expansão moderada, impulsionada por reposição da capacidade produtiva, execução de projectos estruturantes e melhoria gradual das condições de mercado.
No entanto, persistem riscos relevantes:
- atrasos na gestão da dívida pública,
- choque climático esperado para o início de 2026,
- lentidão na recomposição da oferta de bens e serviços,
- conjuntura internacional desfavorável.
Sinais positivos, mas fragilidades persistem
O último trimestre de 2025 combina indicadores de melhoria com desafios macroeconómicos:
Sinais de recuperação
- Aumento da actividade extractiva e dos serviços;
- PMI acima dos 50 pontos;
- Estabilidade cambial;
- Inflação controlada.
Fragilidades estruturais
- Dívida interna elevada;
- Spreads bancários ainda altos;
- Riscos externos ligados à desaceleração global.
A economia moçambicana encerra 2025 com sinais visíveis de recuperação, mas ainda dependente de estabilidade fiscal, melhoria da liquidez financeira e execução contínua de reformas estruturais.