O Governo vai aumentar a capacidade de financiamento das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME), elevando a taxa de acesso ao crédito de 50% para 60% no período 2025–2029, segundo o Plano Quinquenal do Governo (PQG 2025–2029).
A medida integra a agenda económica nacional que visa acelerar o crescimento, impulsionar o empreendedorismo e dinamizar o sector privado, reforçando o papel das MPME como motor da industrialização local, da criação de emprego e da diversificação económica.
A meta de ampliar o financiamento das MPME para 60% constitui um dos compromissos mais estruturantes do Executivo no eixo dedicado ao sector privado.
O Governo pretende:
- melhorar a inclusão financeira;
- reduzir barreiras ao crédito;
- promover instrumentos de garantia e mitigação de risco;
- acelerar a formalização das empresas.
O PQG sublinha que o aumento da capacidade de financiamento será acompanhado por programas de capacitação empresarial, assegurando que as empresas não apenas acedam ao crédito, mas tenham competências para crescer e sustentar as operações.
Reformas vão abranger bancos, garantias e fundos de investimento
Entre as reformas previstas para ampliar o acesso ao financiamento, destacam-se:
- reforço dos programas de garantia de crédito para reduzir o risco bancário;
- expansão do financiamento através de fundos públicos e linhas concessionais;
- estímulo à banca para desenvolver produtos financeiros adaptados às MPME;
- melhoria do ambiente regulatório, fiscal e de licenciamento.
O PQG prevê ainda medidas para digitalizar processos, simplificar requisitos de acesso ao crédito e introduzir mecanismos modernos de avaliação de risco para empresas emergentes.
O Governo posiciona as MPME como actores centrais da industrialização local, dos serviços, da agricultura comercial e do turismo.
O objectivo é que estas empresas:
- aumentem a produção e a produtividade;
- criem mais emprego;
- participem nas cadeias de valor regionais;
- forneçam bens e serviços às grandes indústrias e mega-projectos.
Com um acesso ao financiamento mais amplo, espera-se que as empresas invistam em tecnologia, sistemas de gestão, infra-estruturas e expansão comercial, reduzindo a taxa de mortalidade empresarial.
Um ambiente mais competitivo para impulsionar o sector privado
A expansão do financiamento às MPME insere-se numa estratégia mais ampla de desenvolvimento económico, que inclui:
- estabilidade macroeconómica;
- melhoria da liquidez do sistema financeiro;
- redução gradual das taxas de juro;
- maior integração económica regional;
- reforço institucional para apoiar investimentos privados.
O PQG reforça que o fortalecimento das MPME é essencial para aumentar a competitividade nacional e consolidar uma economia mais diversificada e resiliente.
Associações empresariais consideram positiva a meta de ampliação do financiamento, mas alertam que os resultados dependerão da execução concreta das reformas, sobretudo na redução da burocracia, no cumprimento fiscal e na simplificação dos requisitos bancários.
A implementação efectiva das medidas poderá determinar se Moçambique alcançará um ambiente de negócios mais inclusivo e dinâmico.
O aumento previsto no acesso ao financiamento para MPME é visto como um marco importante na estratégia económica do país, reforçando a intenção do Governo de transformar o sector privado num dos pilares centrais do crescimento.
Se implementada com sucesso, a meta poderá:
- gerar mais investimento;
- aumentar a competitividade;
- dinamizar cadeias de valor;
- criar oportunidades para milhares de pequenos empreendedores.
Recursos captados ultrapassam 840 milhões USD e reforçam confiança internacional
A soma dos donativos e créditos ascende a 843,34 milhões USD, consolidando Moçambique como um destino activo de cooperação internacional.
Para o Executivo, o volume de recursos mobilizados demonstra:
- o reforço da confiança dos parceiros multilaterais e bilaterais;
- a manutenção do apoio internacional em áreas vitais;
- a prioridade dada a projectos sociais, infra-estruturas resilientes e desenvolvimento rural;
- o alinhamento com as metas do Plano Económico e Social (PESOE 2024).
O pacote de financiamentos contribuiu directamente para:
- melhoria de infra-estruturas urbanas e rurais;
- expansão do acesso à energia e à água;
- reforço dos serviços de saúde e protecção social;
- desenvolvimento de corredores logísticos e projectos resilientes ao clima;
- modernização da administração pública e do sector estatístico.
Analistas consideram que, num contexto global de incerteza e redução das ajudas internacionais em vários países, a capacidade de Moçambique de captar mais de 840 milhões USD em financiamento favorável constitui um sinal positivo para a estabilidade macroeconómica e para a continuidade das reformas estruturais.