O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Moçambique mantém posição firme face à decisão da Mozal

O Governo de Moçambique reagiu com firmeza à decisão da Mozal de suspender a fundição de alumínio a partir de Março de 2026, sublinhando que a política energética nacional prioriza a sustentabilidade financeira e a segurança do sistema eléctrico. A empresa justificou a decisão com dificuldades em garantir fornecimento de energia a preços competitivos, agravadas pela seca que afecta a HCB e pelo maior recurso à electricidade importada. O Executivo reafirma que não comprometerá o interesse nacional para manter operações industriais, mantendo o foco na resiliência energética e no equilíbrio do sistema.

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A Mozal S.A. confirmou, esta terça-feira, que irá suspender as operações na sua fundição de alumínio em Moçambique a partir de 15 de Março de 2026, devido à impossibilidade de garantir fornecimento de electricidade suficiente e a preços competitivos. A informação consta de um comunicado de imprensa enviado à redacção.

Segundo a empresa, o custo e a disponibilidade de energia tornaram-se factores críticos para a continuidade da operação industrial.

“A Mozal não conseguiu garantir o fornecimento de electricidade suficiente e a preços competitivos para continuar com as operações após esta data. A electricidade a preços competitivos é essencial para a continuidade das operações de qualquer fundição de alumínio, uma vez que representa um dos seus maiores custos.”

Seca e limitações na produção hidroeléctrica agravam cenário

A empresa explica que o processo de negociação de soluções energéticas foi agravado pelas condições climáticas adversas que afectam a produção hidroeléctrica nacional, em particular a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB).

“Historicamente, a maior parte da electricidade para a Mozal tem sido gerada pela HCB, mas as condições de seca significaram que também foi necessária uma quantidade significativa de electricidade proveniente da Eskom, na África do Sul.”

A dependência acrescida de energia importada, aliada a preços menos competitivos, contribuiu para a inviabilidade económica da operação no actual contexto.

Impacto social e prioridade à segurança dos trabalhadores

Samuel Samo Gudo reconheceu o impacto da decisão sobre os trabalhadores e parceiros da empresa em Moçambique, sublinhando que a prioridade imediata passa pela gestão responsável do processo de suspensão.

“Compreendemos como este anúncio é difícil para os nossos trabalhadores e parceiros em Moçambique. O foco imediato da Mozal é a segurança e o bem-estar das suas pessoas, bem como a suspensão segura e ordenada das operações na fundição em Março de 2026.”

A suspensão das operações da Mozal ocorre num contexto mais amplo de pressão sobre o sistema energético regional, marcado por secas prolongadas, limitações na capacidade de geração hidroeléctrica e maior exposição a fontes externas de energia.

O anúncio reacende o debate sobre a competitividade energética da indústria pesada em Moçambique e a necessidade de soluções estruturais que assegurem fornecimento estável, fiável e a preços compatíveis com grandes projectos industriais.