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Niassa ganha novo impulso económico com reforço das cadeias logísticas Pemba–Lichinga

A Zona Especial de Processamento Agro-Industrial do Corredor Pemba–Lichinga está a reposicionar o Niassa como novo centro de crescimento económico. O parque industrial de Cuamba avança com infra-estruturas de pré-processamento, centros de agregação e novas unidades industriais. O Governo prepara um concurso internacional para seleccionar o operador da ZEPA e introduzir um sistema de crédito rotativo para pequenos produtores em 2026. Com apoio do BAD e integração logística Pemba–Lichinga, o corredor torna-se eixo estratégico para reduzir custos, atrair investidores e consolidar o Niassa como plataforma agro-industrial e exportadora.

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A Zona Especial de Processamento Agro-Industrial (ZEPA) do Corredor de Desenvolvimento Integrado Pemba–Lichinga está a consolidar-se como uma das apostas estratégicas para acelerar o investimento na província do Niassa e reposicionar o distrito de Cuamba como novo polo de crescimento agro-industrial no Norte do país.

O projecto, concebido pelo Governo e implementado pela Agência para a Promoção de Investimentos e Exportações (APIEX), pretende transformar a agricultura através da criação de parques industriais, cadeias logísticas funcionais e infra-estruturas de escoamento, com impacto directo na competitividade regional.

Cuamba posiciona-se como núcleo agro-industrial do Norte

Tunísio Camba, coordenador do projecto, explicou que o parque industrial de Cuamba já está numa fase avançada de preparação, com destaque para:

  • construção do muro de vedação,

  • instalação de oito centros de agregação de produtos,

  • criação de unidades de pré-processamento para facilitar o escoamento agrícola.

“Estas infra-estruturas permitirão adquirir, pré-processar e armazenar produtos antes de os enviar para o parque, onde serão transformados para abastecer o mercado nacional e internacional”, afirmou Camba.

As acções fazem parte de um esforço para reduzir perdas pós-colheita, aumentar a capacidade de processamento e fortalecer ligações comerciais entre produtores, empresas transformadoras e mercados externos.

Parceria público-privada será motor das novas unidades industriais

Segundo a APIEX, o Governo deverá lançar, no próximo ano, um concurso internacional para seleccionar o operador responsável pela gestão e dinamização do parque industrial de Cuamba, numa lógica de parceria público-privada.

Estão previstas:

  • novas unidades de processamento,

  • expansão de capacidades logísticas,

  • instalação de empresas exportadoras,

  • integração de produtores locais em cadeias de valor estruturadas.

Para garantir matéria-prima em quantidade e qualidade, o Governo prepara a introdução, em 2026, de um sistema de crédito rotativo direccionado a pequenos produtores, facilitando o acesso a instrumentos financeiros adaptados à realidade rural.

Serão igualmente disponibilizados:

  • sistemas de irrigação,

  • sementes melhoradas,

  • soluções de mecanização leve,

permitindo recuperar parte do atraso tecnológico e elevar a produtividade agrícola do Niassa.

Corredor logístico Pemba–Lichinga torna-se eixo de atracção para investidores

O Corredor, lançado em 2022, tem funcionado como instrumento estruturante para:

  • melhorar a conectividade Pemba–Lichinga–Cuamba,

  • reduzir custos logísticos e tempos de transporte,

  • criar um ambiente previsível para investidores industriais,

  • reforçar a competitividade do Norte de Moçambique.

Uma das prioridades é eliminar barreiras de acesso ao financiamento e atrair investimento privado para infra-estruturas produtivas.

O projecto conta com apoio de parceiros internacionais, incluindo financiamentos já comprometidos pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).

Com a operacionalização da ZEPA e a integração logística entre Pemba e Lichinga, o Governo pretende consolidar o Niassa como:

  • polo de produção agro-industrial,

  • corredor de exportação para o Oceano Índico,

  • plataforma estratégica para o comércio regional na África Oriental.

O reforço das cadeias logísticas marca uma viragem estratégica para uma província tradicionalmente isolada, mas que agora se posiciona como território competitivo, industrializável e capaz de atrair investimento diversificado.