Moçambique e a Zâmbia avançam com a implementação do oleoduto Beira–Ndola, uma infra-estrutura estratégica de 1 500 quilómetros que ligará o Porto da Beira à cidade zambiana de Ndola, com um investimento estimado em 1,5 mil milhões de dólares norte-americanos.
O projecto será um dos maiores empreendimentos logísticos e energéticos da África Austral, reforçando a integração económica regional e a segurança energética dos dois países.
Integração energética entre Moçambique e Zâmbia
O oleoduto Beira–Ndola permitirá o transporte anual de 3,5 milhões de toneladas de combustíveis refinados, reduzindo significativamente os custos e riscos associados ao transporte rodoviário, actualmente realizado por centenas de camiões-cisterna.
De acordo com o Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), o estudo de viabilidade técnica e financeira encontra-se na fase final e deverá ser concluído até Dezembro de 2025, com o início das obras previsto para o primeiro semestre de 2026.
“O projecto representa um marco de interdependência e progresso partilhado entre Moçambique e a Zâmbia”, afirmou Estêvão Pale, Ministro dos Recursos Minerais e Energia.
O governante acrescentou que a iniciativa consolida o papel de Moçambique como corredor energético regional e contribui para o equilíbrio da balança comercial nacional.
Infra-estrutura moderna e benefícios económicos
O plano prevê a construção de estações de armazenamento e terminais complementares tanto na Beira como em Ndola, aumentando a capacidade logística e a eficiência operacional de ambos os países.
O projecto criará centenas de empregos directos e indirectos durante a fase de construção, além de novas oportunidades de negócios locais na manutenção e operação do sistema.
Segundo fontes do sector, o oleoduto contribuirá para reduzir as emissões de carbono e melhorar a segurança rodoviária, ao diminuir o fluxo de camiões-cisterna nas estradas regionais.
A integração entre porto, ferrovia e oleoduto transformará a Beira num hub multimodal estratégico da região da SADC, fortalecendo as cadeias logísticas e de exportação.
Perspectiva regional e integração logística
O oleoduto Beira–Ndola enquadra-se nas prioridades da SADC para infra-estruturas transfronteiriças e poderá servir de modelo para outros corredores energéticos entre países sem acesso directo ao mar e portos costeiros.
A cooperação bilateral Moçambique–Zâmbia está a ser reforçada através de um novo quadro de governação conjunta para projectos regionais de energia e logística.
“Este investimento confirma o potencial geoestratégico de Moçambique como plataforma de desenvolvimento regional e reforça a confiança dos parceiros internacionais”, sublinhou Estêvão Pale, Ministro dos Recursos Minerais e Energia.
Para o Governo moçambicano, o oleoduto Beira–Ndola representa uma aposta estratégica na industrialização e integração energética regional, consolidando o país como pólo de conectividade e crescimento sustentável na África Austral.