A Prime Rate do Sistema Financeiro Moçambicano para o mês de Novembro de 2025 foi fixada em 16,00%, segundo o Comunicado n.º 10/2025 emitido pelo Banco de Moçambique (BdM) em coordenação com a Associação Moçambicana de Bancos (AMB).
O valor reduziu 0.50% em relação ao mês anterior e confirma a estabilidade das condições de financiamento no mercado bancário nacional.
O mecanismo da Prime Rate foi introduzido em 2022, com o objectivo de uniformizar a formação das taxas de juro, reforçar a transparência e melhorar a transmissão da política monetária.
A taxa resulta da soma de dois componentes: o Indexante Único, definido pelo Banco de Moçambique, e o Prémio de Custo, calculado pela AMB.
Cálculo da taxa de referência
Para Novembro, o Indexante Único foi fixado em 9,80%, enquanto o Prémio de Custo corresponde a 6,20%, totalizando a Prime Rate de 16,00%.
O Indexante reflete o custo médio do dinheiro no mercado interbancário, com base em operações diárias à Taxa MIMO (9,75%), operações repo e permutas de liquidez.
O Prémio de Custo representa o risco e os custos operacionais da actividade bancária, sendo revisto trimestralmente pela AMB.
Entre os factores considerados estão o rating do país, o nível de crédito em incumprimento, o grau de crédito saneado e as reservas obrigatórias.
“O Acordo sobre o Indexante Único visa reforçar a transparência na formação das taxas de juro e garantir maior previsibilidade e equidade nas operações de crédito”, destaca o comunicado do BdM e da AMB.
Spreads padronizados e transparência para os clientes
O documento estabelece também spreads padronizados de risco de crédito, que definem as margens aplicáveis sobre a Prime Rate conforme o tipo de cliente e de produto.
Nos bancos comerciais, os spreads variam entre 1,0% e 10,75%, enquanto nas instituições de microfinanças podem atingir valores entre 13% e 64%, devido ao maior risco associado ao perfil dos mutuários.
“O sistema padronizado de spreads permite equilibrar o custo do crédito e a sustentabilidade das instituições, garantindo maior previsibilidade e clareza para o consumidor financeiro”, explica o BdM e a AMB.
As condições padronizadas de crédito definem ainda prazos máximos de 20 anos para habitação e leasing imobiliário, colaterais de 120% do valor financiado, seguro de vida obrigatório e comprovação de rendimento estável.
Impacto económico e estabilidade monetária
A redução da Prime Rate em 16% reflecte a estabilidade monetária e cambial que o país vem registando em 2025, com a inflação média anual projetada em 3,7%, segundo o Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE 2026).
O Banco de Moçambique tem mantido uma política prudente, ajustando gradualmente a taxa MIMO, de forma a equilibrar o controlo da inflação com o estímulo ao crédito e ao investimento produtivo.
“A previsibilidade da taxa de referência é essencial para reforçar a confiança dos investidores e garantir o funcionamento estável do sistema financeiro”, sublinha a nota do BdM e da AMB.
A coordenação entre o Banco Central e a Associação Moçambicana de Bancos é apontada como um factor decisivo para fortalecer o ambiente de negócios e promover crédito responsável, apoiando o crescimento económico sustentável.
Síntese institucional
Prime Rate (Novembro 2025): 16,00%
Indexante Único: 9,80%
Prémio de Custo: 6,20%
Taxa MIMO: 9,75%
Inflação média estimada: 3,7%
Spreads bancários: 1,0% a 10,75%
Spreads em microfinanças: 13% a 64%
Prazos máximos de crédito: até 20 anos (habitação e leasing)
A manutenção da Prime Rate em 16% reforça o compromisso do Banco de Moçambique e da Associação Moçambicana de Bancos com a estabilidade, transparência e previsibilidade do sistema financeiro nacional.
O modelo de cálculo padronizado contribui para um ambiente de crédito mais equilibrado e competitivo, fortalecendo a confiança dos investidores, famílias e empresas.