O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Banco de Moçambique reafirma compromisso com a estabilidade, transparência e autonomia financeira do País

O Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, reafirmou o compromisso da instituição com a estabilidade macro-económica, a transparência e a autonomia financeira durante a abertura do 50.º Conselho Consultivo em Pemba. No discurso, destacou a resiliência económica, a modernização digital e o fortalecimento da credibilidade do sistema financeiro nacional. As reformas em curso, incluindo a transformação digital, a gestão do Fundo Soberano e o reforço das medidas de prevenção ao branqueamento de capitais, consolidam a posição de Moçambique no contexto internacional.

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O Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, reafirmou esta quarta-feira (5), na cidade de Pemba, província de Cabo Delgado, o compromisso da instituição com a estabilidade, transparência e autonomia financeira nacional, ao presidir à abertura do 50.º Conselho Consultivo do Banco de Moçambique (CCBM).

O encontro decorre num momento simbólico: os 50 anos de existência do Banco de Moçambique e os 45 anos do Metical. A sessão marca uma nova fase de consolidação da credibilidade institucional e de modernização do sistema financeiro.

“Ao assinalarmos os 50 anos de existência do Banco de Moçambique e 45 anos do Metical, não celebramos apenas um marco histórico, mas renovamos o nosso compromisso com a consolidação da credibilidade da nossa instituição e o fortalecimento da autonomia financeira e económica do País”, afirmou Zandamela.

Resiliência económica e estabilidade cambial

O Governador começou por destacar o quadro macro-económico de 2025, caracterizado por estabilidade de preços e recuperação gradual da actividade económica, apesar do agravamento de 3,1% no défice da conta corrente nas transacções externas durante o primeiro semestre, em comparação com igual período de 2024.

“As nossas reservas internacionais brutas mantêm-se em níveis confortáveis, um sinal importante de resiliência face aos choques externos e um verdadeiro escudo de protecção à soberania nacional”, sublinhou.

Zandamela referiu que o Banco de Moçambique tem mantido uma política monetária prudente, ajustando gradualmente a taxa MIMO para preservar a estabilidade cambial e garantir um ambiente económico previsível e de confiança para investidores e famílias.

Sistema financeiro sólido e inclusão digital em expansão

O Governador destacou também a robustez do sistema financeiro nacional, reforçada por medidas de educação financeira, protecção do consumidor e inclusão digital.
O Sistema Nacional de Pagamentos registou avanços significativos, nomeadamente na interoperabilidade entre plataformas de pagamentos móveis e bancos comerciais, que ampliaram o acesso dos cidadãos aos serviços financeiros.

“O sistema financeiro nacional reforçou a sua solidez e capacidade de resposta, beneficiando da modernização tecnológica e da crescente literacia financeira dos cidadãos”, observou Zandamela.

Estes progressos consolidam o objectivo do Banco Central de promover um sector financeiro mais inclusivo, seguro e competitivo, essencial para sustentar o crescimento económico previsto de 3,2% em 2026, conforme o PESOE 2026.

Reformas estruturais e credibilidade internacional

Rogério Zandamela sublinhou ainda o impacto das reformas estruturais implementadas e em curso pelo Banco de Moçambique, destacando a Estratégia de Transformação Digital, a preparação operacional para a gestão do Fundo Soberano e o reforço do quadro de prevenção e combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, em linha com as recomendações do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI).

“Este reforço consolidou a integridade e credibilidade do sistema financeiro nacional e contribuiu para a retirada de Moçambique da lista cinzenta, a 24 de Outubro último. Uma grande notícia para o País, que está a ser celebrada a nível internacional”, destacou o Governador.

As reformas em curso consolidam a autonomia técnica e institucional do Banco Central e reforçam a confiança internacional no sistema financeiro moçambicano.

Desafios e perspectivas económicas para 2026

O Governador antecipou uma recuperação gradual da actividade económica em 2026, com inflação a manter-se em níveis de um dígito no curto e médio prazos, num contexto de estabilidade monetária e prudência fiscal.
Zandamela alertou, no entanto, para desafios persistentes que exigem reformas contínuas e gestão fiscal rigorosa.

“Persistem desafios relevantes. A nível interno, destaca-se o contínuo agravamento do risco fiscal, o ambiente de negócios desafiante, os choques climáticos e a necessidade de reformas estruturais profundas. No ambiente externo, sublinha-se a desaceleração da actividade económica global, a persistência da inflação e os elevados níveis de incerteza”, declarou.

 

Compromisso institucional e liderança colectiva

Encerrando a sua intervenção, o Governador prestou homenagem aos trabalhadores do Banco de Moçambique, reconhecendo o seu papel na consolidação da credibilidade e estabilidade da instituição ao longo dos últimos nove anos do seu mandato.