A Prime Rate do Sistema Financeiro Moçambicano desceu para 15,70% em Janeiro de 2026, de acordo com a actualização divulgada pela Associação Moçambicana de Bancos (AMB) em coordenação com o Banco de Moçambique (BM). A redução marca um novo enquadramento no custo do dinheiro, abrindo margem para maior dinamismo do crédito e sinalizando um ambiente económico mais estável.
A taxa de referência resulta da soma entre o Indexante Único, fixado em 9,50%, e o Prémio de Custo, estabelecido em 6,20%. O comportamento estável do Indexante Único reflete melhores condições de liquidez no mercado interbancário, onde as operações overnight permanecem ancoradas à taxa de política monetária definida pelo Banco de Moçambique.
Este enquadramento indica que, apesar de o banco central manter uma postura cautelosa face à inflação, o sistema bancário está a ajustar gradualmente o prémio de risco, traduzindo uma leitura mais favorável sobre a qualidade dos activos, o crédito saneado e a estabilidade macroeconómica.
Crédito poderá tornar‑se mais acessível
A descida da Prime Rate para 15,70% deverá reduzir o custo de novos financiamentos de taxa variável, nomeadamente:
- Crédito à habitação, cujo custo final dependerá da soma da Prime Rate com spreads que variam, consoante o banco, entre aproximadamente 1% e 6%;
- Empréstimos às empresas, tanto de curto como de longo prazo, essenciais para capital de giro e investimentos produtivos;
- Crédito ao consumo, dependente da taxa de esforço das famílias mas potencialmente mais acessível com o afrouxar das taxas referenciais.
A harmonização das condições de crédito, de acordo com o Acordo sobre o Indexante Único, melhora a transparência para o consumidor e facilita o planeamento financeiro de empresas e particulares.
Apesar da redução da taxa de referência, os bancos manterão critérios rigorosos na atribuição de crédito. A definição dos spreads continuará dependente de factores como:
- risco de incumprimento,
- reservas obrigatórias,
- rating do país,
- capacidade de endividamento dos mutuários,
- garantias apresentadas.
Para empresas, é exigida documentação financeira sólida, incluindo contas auditadas e planos de negócios, enquanto os particulares devem demonstrar estabilidade laboral e ausência de incidentes na Central de Registo de Crédito.
Impactos esperados na economia real
A actualização da Prime Rate surge num momento em que a actividade económica mostra sinais de reaceleração, apoiada pelo aumento das encomendas empresariais e por uma ligeira melhoria no índice PMI registado no final de 2025.
A redução da taxa de referência poderá:
- estimular o investimento privado,
- impulsionar o sector da construção e serviços,
- melhorar a confiança dos empresários,
- e apoiar a recuperação do consumo interno.
Especialistas antecipam que, caso a inflação permaneça controlada e o nível de crédito malparado continue a estabilizar, os spreads poderão sofrer nova compressão ao longo de 2026, tornando o crédito ainda mais atractivo.
A redução para 15,70% representa uma oportunidade para revitalizar o mercado de crédito e apoiar o crescimento económico. Contudo, o impacto pleno dependerá da trajectória da inflação, do comportamento da liquidez no sistema financeiro e da capacidade dos bancos em gerir riscos num ambiente económico ainda em ajustamento.
A evolução nos próximos meses será decisiva para determinar se o mercado de crédito entrará numa fase de maior expansão, contribuindo para o fortalecimento sustentável da economia moçambicana.