A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) recebeu esta terça‑feira, em Maputo, uma delegação de alto nível da Tailândia, composta por representantes da Embaixada, do Thai Trade Center, da Autoridade Portuária da Tailândia e do Departamento Marítimo. O encontro, que segue rondas anteriores de consultas políticas, teve como objectivo aprofundar o investimento bilateral e explorar mecanismos para transformar Moçambique num hub logístico e comercial da região da SADC, com impacto directo no reposicionamento dos portos moçambicanos na rota do Oceano Índico.
Os representantes dos dois países sublinharam a evolução positiva das relações económicas. Entre 2022 e 2023, as exportações moçambicanas para a Tailândia ultrapassaram os 380 milhões de dólares, impulsionadas sobretudo por minerais e metais, enquanto as importações oriundas daquele país — maquinaria, equipamentos, produtos alimentares e bens industriais — atingiram cerca de 179 milhões de dólares.
Segundo os delegados tailandeses, estes números mostram uma dinâmica comercial ascendente, que pode acelerar caso Moçambique aumente a eficiência logística dos seus portos e consolide corredores de exportação mais competitivos.
Tailândia reforça presença no petróleo e gás em Moçambique
No domínio do investimento estratégico, a delegação destacou a participação tailandesa de cerca de 8% na PTTEP, empresa que integra consórcios de petróleo e gás em Moçambique, em parceria com a TotalEnergies.
Este envolvimento demonstra, segundo os representantes, a confiança dos investidores tailandeses no potencial energético moçambicano e reforça o interesse em ampliar investimentos para outros sectores de alto impacto económico.
A CTA considerou esta presença “um sinal claro de confiança e compromisso” e destacou que Moçambique oferece uma plataforma estável para investimentos de longo prazo.
O Vice‑Presidente da CTA, Meque Gimo, afirmou que a localização geoestratégica de Moçambique “coloca o país como porta natural dos mercados da SADC para o Índico”, sobretudo para o escoamento de cargas de países sem saída para o mar, como o Malawi, Zâmbia e Zimbabwe.
Para além da localização, Gimo destacou:
- vastos recursos naturais,
- reformas estruturais para melhorar o ambiente de negócios,
- e crescentes oportunidades de investimento privado.
Segundo a CTA, estes elementos consolidam o argumento de que os portos moçambicanos — Maputo, Beira, Nacala e o futuro Macuse — podem integrar‑se mais competitivamente nas rotas comerciais do Médio Oriente e da Ásia.
Sectores prioritários da cooperação Moçambique–Tailândia
1. Agricultura e agro‑processamento
A Tailândia, referência mundial na produção e tecnologia de arroz, propôs:
- transferência de know‑how para melhorar a produtividade do arroz moçambicano;
- introdução de maquinaria agrícola de nível intermédio, adequada para pequenos e médios produtores;
- expansão de projectos de aquacultura, incluindo criação de tilápia na província de Gaza.
Estas iniciativas poderão ajudar Moçambique a reduzir a dependência de importações alimentares e a impulsionar o agro‑negócio.
2. Logística e infra‑estruturas portuárias
A delegação tailandesa apresentou uma proposta de gemelagem entre os portos de Maputo e Beira com portos tailandeses, como o de Laem Chabang, um dos maiores do Sudeste Asiático.
O pacote inclui cooperação em:
- formação técnica de pessoal portuário,
- digitalização operacional,
- melhoria de eficiência e tempos de processamento,
- consultoria para expansão de corredores logísticos.
A CTA confirmou que o projecto Macuse continua activo e em busca de financiamento, sendo considerado estruturante para a integração de Moçambique nas rotas do Índico.
3. Indústria e transformação
A Tailândia manifestou ainda interesse em:
- exportação de componentes automóveis para montagem local;
- introdução de linhas de montagem de bicicletas eléctricas;
- cooperação no processamento de pedras preciosas, beneficiando da experiência tailandesa em lapidação e joalharia.
Estas áreas, segundo a CTA, podem acrescentar valor industrial à economia moçambicana, gerar empregos e reforçar capacidade de exportação.
A visita da delegação tailandesa e a agenda económica apresentada reforçam a visão de que Moçambique pode reposicionar os seus portos na rota do Índico, atraindo mais carga regional e integrando‑se nas cadeias logísticas asiáticas.
A CTA considera que a consolidação desta parceria poderá:
- fortalecer o investimento directo tailandês,
- aumentar a competitividade dos portos nacionais,
- diversificar a economia,
- e transformar Moçambique num dos principais nós logísticos da África Austral.