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Sector privado pede mais tempo para negociar contrato da Mozal

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) defendeu a prorrogação do contrato da Mozal entre seis e doze meses, com o objectivo de criar espaço para negociações que evitem a suspensão das operações da fundição em Março de 2026. O sector privado alerta para impactos significativos no emprego, nas exportações e na sustentabilidade das PME fornecedoras. A CTA considera a Mozal um activo estratégico e propõe soluções baseadas num preço de energia competitivo, maior integração de fornecedores nacionais e reformas estruturais para reforçar a competitividade da economia.

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O sector privado moçambicano defendeu a extensão do contrato da Mozal, com o objectivo de criar espaço adicional para negociações entre as partes envolvidas e outros actores estratégicos, de modo a salvaguardar uma empresa considerada vital para a economia nacional.

A posição foi manifestada esta semana pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), num contexto marcado pelo anúncio da suspensão das operações da fundição de alumínio a partir de Março de 2026, devido à impossibilidade de garantir fornecimento de energia eléctrica em condições competitivas.

De acordo com a CTA, o término do contrato nos moldes actuais poderá gerar consequências económicas graves, com impactos significativos na cadeia de fornecimento, no emprego e na sustentabilidade de várias Pequenas e Médias Empresas (PME) que dependem directa ou indirectamente da Mozal.

Suspensão anunciada para 2026 preocupa empresariado

O apelo foi formalizado pelo Presidente da CTA, Álvaro Massingue, durante um briefing de balanço económico realizado em Maputo, onde apresentou os principais indicadores macroeconómicos do ano e alertou para os riscos associados a uma eventual interrupção prolongada das actividades da fundição.

Na ocasião, Massingue sublinhou que a Mozal constitui um activo estratégico para o país, com impacto directo na balança comercial, na dinamização da cadeia de fornecedores locais e na manutenção de milhares de postos de trabalho formais.

“A Mozal tem um papel estruturante na economia nacional, tanto pelo seu peso nas exportações como pelo efeito multiplicador sobre fornecedores de bens e serviços.”

CTA propõe prorrogação entre seis e doze meses

Neste contexto, a CTA propõe que o actual contrato seja prorrogado por um período adicional entre seis e doze meses, criando condições para negociações mais aprofundadas e para a construção de soluções duradouras, sustentáveis e equilibradas, tanto no curto como no longo prazo.

Segundo a Confederação, o sector privado está disponível para integrar activamente o processo negocial, em articulação com o Governo, contribuindo para soluções que preservem o investimento, protejam o emprego e promovam o desenvolvimento económico e social.

A CTA defende que uma solução sustentável para a Mozal passa por um acordo em torno de um preço de energia competitivo, integrado num pacote mais amplo de medidas que inclua, entre outros aspectos, o aumento da participação de empresas nacionais na cadeia de valor da fundição, com maior envolvimento de fornecedores locais de bens e serviços.

Reformas estruturais vistas como condição para competitividade

Adicionalmente, Álvaro Massingue reiterou a necessidade de acelerar reformas fiscais, administrativas, jurídicas e sectoriais, com enfoque na agricultura, indústria, turismo, PME, transporte e logística, bem como no acesso ao financiamento e às divisas.

“Precisamos de um Estado mais eficiente, previsível e transparente, que reduza riscos, estimule o investimento produtivo e fortaleça a competitividade da economia nacional.”

A posição do sector privado surge alinhada com a leitura dos indicadores macroeconómicos e empresariais mais recentes, que apontam para sinais de ligeira melhoria do ambiente económico ao longo do ano, apesar de indícios de estagnação registados no terceiro trimestre.

Segundo a CTA, os resultados do Índice de Robustez Empresarial, fixado em 26 pontos, evidenciam simultaneamente a resiliência das empresas e os desafios persistentes relacionados com a procura, o emprego e o acesso a factores produtivos essenciais.

Para o empresariado, a extensão do contrato e a reabertura do diálogo em torno da Mozal representam uma janela estratégica para evitar perdas económicas irreversíveis, proteger a base produtiva nacional e reforçar a confiança no ambiente de negócios em Moçambique.