O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Crédito à economia cresce e reforça dinamismo do sector financeiro nacional

O Banco de Moçambique reporta que o sistema financeiro nacional manteve indicadores sólidos no terceiro trimestre de 2025, com crescimento do crédito ao sector privado, rácios de solvabilidade de 31% e liquidez acima de 40%. O relatório “Indicadores Prudenciais e Económico-Financeiros” confirma a robustez das instituições bancárias, a eficiência operacional e a gestão prudente de riscos. Com depósitos em crescimento e margens financeiras positivas, o sistema bancário continua a consolidar a confiança dos investidores e a apoiar a economia real.

CRESCIMENTO-ECONOMICO-VERIFICA_Prancheta-1 thumbnail

O sistema financeiro moçambicano encerrou o terceiro trimestre de 2025 com indicadores sólidos de estabilidade e desempenho positivo do crédito à economia, segundo o relatório “Indicadores Prudenciais e Económico-Financeiros do Sistema Bancário” divulgado pelo Banco de Moçambique.

Os dados confirmam a solidez das instituições de crédito, com rácio médio de solvabilidade acima de 20%, níveis adequados de liquidez e crescimento sustentado do crédito, reflectindo resiliência num contexto de ajustamento monetário e estabilidade cambial.

“O sistema bancário moçambicano permanece sólido e resiliente, apresentando níveis de solvabilidade e liquidez acima dos mínimos regulamentares e uma posição de capital robusta para enfrentar eventuais choques”, indica o Banco de Moçambique (Indicadores Prudenciais – III Trimestre de 2025).

Crédito em expansão e confiança dos aforradores

O crédito ao sector privado registou crescimento face a 2024, sustentado pela retoma da actividade económica, pela redução gradual do risco de crédito e pelo comportamento estável da taxa MIMO.
O rácio médio de crédito vencido até 90 dias situou-se em 8,8% do total de operações, enquanto o rácio de crédito em incumprimento (NPL) manteve-se controlado, com média inferior a 10%, demonstrando melhoria da qualidade da carteira de crédito.

“O crédito concedido à economia evoluiu positivamente, com níveis de incumprimento moderados e cobertura de risco adequada”, destaca o relatório.

Em contrapartida, os depósitos bancários mantiveram trajectória de crescimento, o que evidencia confiança dos aforradores e estabilidade do sistema.
Os bancos de grande dimensão, como o BCI, BIM e BNI, registaram expansão do crédito e margens financeiras médias acima de 10%, contribuindo para o reforço da rentabilidade global do sistema.

Solvabilidade e capitalização robustas

Os dados do Banco de Moçambique mostram que o sistema bancário continua fortemente capitalizado.
O rácio médio de solvabilidade foi de 31%, acima do mínimo regulamentar de 12%, e o rácio de alavancagem situou-se, em média, em 25%, o que reflecte capacidade sólida de absorção de riscos.

Algumas instituições, como o BCI (31,3%), o BIM (42,3%) e o BNI (42,9%), mantiveram níveis de capitalização muito superiores aos requisitos prudenciais, garantindo estabilidade financeira e segurança dos depósitos.

“Os rácios prudenciais mantêm-se confortáveis, traduzindo a robustez do capital e a gestão prudente das exposições ao risco”, refere o Banco de Moçambique (2025).

Rentabilidade e eficiência operacional

A rentabilidade do sistema apresentou comportamento positivo, com rendibilidade média dos capitais próprios (ROE) em torno de 10%, impulsionada pela expansão do crédito e pela gestão eficiente de custos.
O rácio médio da margem financeira situou-se em 10,5%, demonstrando capacidade de geração de resultados mesmo num cenário de contenção monetária.

Instituições como o Banco Mais (17,6%), o BNI (6,1%) e o BCI (10,4%) destacaram-se pelo desempenho operacional equilibrado, sustentando a confiança do sector privado e o financiamento à economia real.

“A estabilidade dos resultados financeiros e a manutenção de margens positivas reflectem um sector bancário eficiente e sustentável”, lê-se no documento do BdM.

Liquidez sólida e gestão prudente de riscos

Os indicadores de liquidez mantiveram-se acima dos padrões internacionais, com rácio médio de activos líquidos superior a 40%, e rácio de cobertura de liquidez de curto prazo (LCR) superior a 70% no conjunto do sistema.
Bancos como o Moza Banco (60,2%), o Vista (61,6%) e o FNB (48,8%) evidenciaram posição de liquidez confortável, assegurando capacidade de resposta às exigências de curto prazo e estabilidade operacional.

“A manutenção de rácios de liquidez acima dos limites regulamentares reforça a confiança na solidez do sistema financeiro”, sublinha o Banco de Moçambique.

O documento também indica melhoria gradual na gestão do risco de crédito, com rácio médio de cobertura dos créditos em incumprimento (NPL coverage) em aproximadamente 70%, sinalizando prudência e reforço das provisões.

Perspectivas e alinhamento com o PESOE 2026

O Banco de Moçambique destaca que a estabilidade financeira observada no trimestre está alinhada com as metas do PESOE 2026, que projecta crescimento económico de 3,2% e inflação média anual de 3,7%.
O sistema bancário deverá continuar a desempenhar papel decisivo no financiamento da agricultura, energia e serviços, sectores que lideram a retoma económica.

“A solidez do sistema bancário constitui um pilar essencial para a confiança dos investidores e para a materialização dos objectivos do Programa Quinquenal do Governo”, conclui o relatório do BdM.

Indicadores-chave – III Trimestre de 2025 (Banco de Moçambique)

  • Rácio médio de solvabilidade: 31% (mínimo regulamentar: 12%)

  • Rácio médio de alavancagem: 25%

  • Rácio de crédito em incumprimento (NPL): ~9%

  • Rácio de cobertura de NPL: ~70%

  • Rácio médio de activos líquidos: 44%

  • Margem financeira média: 10,5%

  • Rentabilidade dos capitais próprios (ROE): ~10%

  • Rácio de liquidez de curto prazo (LCR): >70%

  • Depósitos e crédito: tendência de crescimento anual positiva

O Banco de Moçambique conclui que o sistema financeiro mantém-se sólido, rentável e bem capitalizado, com crédito em expansão, liquidez robusta e risco controlado.
Estes resultados reforçam a confiança no sector bancário e confirmam o papel do sistema financeiro como motor da estabilidade e do crescimento económico nacional.