O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

“O futuro económico de África será construído pelos africanos”, defende Chapo

A Primeira-Ministra apresentou as projecções do PESOE 2026, indicando que a Indústria Extractiva deverá crescer 4,4%, impulsionada pelo aumento da produção de carvão, areias pesadas, ouro e rubis, bem como pela entrada em funcionamento de novas concessões e infra-estruturas energéticas. Destacou também a operação da unidade integrada de gás em Inhassoro, que reforçará a segurança energética. As projecções incluem exportações de 8,4 mil milhões USD, crescimento económico de 2,8% e investimento directo estrangeiro acima de 5,8 mil milhões USD. O sector extractivo continuará a ser fundamental para receitas, logística e confiança dos investidores.

Chapo no forum de negocios thumbnail

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, defendeu esta quarta-feira, em Vilankulo, que África deve assumir a liderança do seu próprio desenvolvimento económico, sublinhando que a industrialização, a modernização produtiva e a integração comercial do continente dependem de alianças estratégicas impulsionadas pelos próprios africanos. A intervenção ocorreu durante o Fórum de Negócios Moçambique–África do Sul, realizado à margem da IV Comissão Binacional entre os dois países.

Perante líderes empresariais e governamentais de ambos os países, Chapo afirmou que a actual conjuntura africana exige maior ambição colectiva, coordenação regional e investimento em sectores-chave que reforcem a competitividade do continente no mercado global.

“Esta é a hora de demonstrarmos que o futuro económico do nosso continente não será importado: será construído por nós, africanos, a partir de parcerias inteligentes, corajosas e verdadeiramente transformadoras.”

Complementaridades estratégicas para dinamizar comércio e investimento

O Chefe de Estado destacou que Moçambique e África do Sul possuem pilares económicos complementares que, articulados de forma estratégica, podem gerar valor significativo para ambas as economias. Mencionou ainda que os debates realizados ao longo do fórum demonstraram a robustez das oportunidades existentes em sectores como energia, agro-indústria, transporte, logística, turismo e indústria transformadora.

Segundo Chapo:

“As apresentações e debates realizados hoje confirmam que Moçambique e a África do Sul possuem complementaridades únicas, capazes de gerar valor económico significativo quando articuladas de maneira estratégica.”

Localização geoestratégica de Moçambique pode acelerar integração e exportações

O Presidente sublinhou que Moçambique dispõe de vantagens geográficas e logísticas que o tornam uma porta de acesso privilegiada aos mercados internacionais, elevando a capacidade exportadora dos dois países e potenciando a integração regional.

“A nossa localização geoestratégica confere à África do Sul uma porta de acesso eficiente e competitiva aos mercados regionais e internacionais.”

Esta vantagem, aliada à estabilidade macroeconómica e às reformas em curso para melhorar o ambiente de negócios, contribui para consolidar Moçambique como destino atractivo para investimento.

Reformas estruturais fortalecem competitividade e ambiente de negócios

Chapo apresentou ainda as reformas implementadas pelo Governo para fortalecer a confiança dos investidores, com destaque para:

  • a nova Lei de Investimentos (Lei 8/2023);

  • a nova Lei do Trabalho (Lei 13/2023);

  • reformas fiscais, incluindo redução do IVA e do IRPC no sector agrícola;

  • simplificação administrativa através dos Balcões Únicos e do mecanismo de mero registo.

“Estamos a construir um quadro legal moderno e alinhado com as exigências da economia global, criando um ambiente onde o investidor encontra confiança, estabilidade e oportunidades reais.”

Chapo defendeu que o fórum deve servir como um espaço de compromisso e acção, incentivando os empresários moçambicanos e sul-africanos a fomentarem parcerias estratégicas, criarem cadeias de valor partilhadas e gerarem empregos qualificados para jovens e mulheres.

“A nossa expectativa é inequívoca: que este Fórum se torne um laboratório de alianças transformadoras capazes de impulsionar inovação, industrialização e competitividade.”

Fórum encerra com apelo ao investimento bilateral

No encerramento, o Chefe de Estado convidou o sector privado sul-africano a investir no potencial energético, logístico e produtivo de Moçambique, ao mesmo tempo que incentivou os empresários nacionais a expandirem operações para o mercado sul-africano.

“Queremos avançar juntos, crescer juntos e vencer juntos, moçambicanos e sul-africanos.”

O fórum contou com a participação do Presidente Cyril Ramaphosa, membros dos sectores público e privado, câmaras de comércio e investidores da região, assinalando uma nova etapa na diplomacia económica entre os dois países mais interligados da África Austral.