O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Governo promete 2026 de crescimento com exportações de 8,4 mil milhões USD

A Primeira-Ministra apresentou na Assembleia da República as previsões económicas para 2026: exportações de 8,4 mil milhões USD, investimento externo superior a 5,8 mil milhões USD, crescimento económico de 2,8% e reservas internacionais de 3,2 mil milhões USD. O desempenho será impulsionado por mega-projectos, indústria extractiva, energia, agricultura e novas infra-estruturas. O orçamento prevê receitas de 407 mil milhões MT e um défice de 7% do PIB. Entre as prioridades, destacam-se pesca, estradas, água, energia e construção do Porto de Pesca de Angoche. O Governo reafirma compromisso com estabilidade e reformas estruturais.

Moçambique prevê mais exportações e investimento em 2026

Moçambique projecta para 2026 um cenário de crescimento económico moderado, aumento das exportações e maior entrada de investimento directo estrangeiro, segundo a apresentação da Primeira-Ministra Maria Benvinda Delfina Levi na Assembleia da República.

A governante sublinhou que o ano de 2026 será marcado por elevados desafios externos, mas também por oportunidades resultantes de reformas estruturais, expansão da produção nacional e maior dinamização de sectores estratégicos como energia, agricultura e indústria extractiva.

“Apresentamos uma proposta construída num contexto desafiante, mas orientada para garantir estabilidade macro-económica, crescimento e mais recursos para financiar sectores sociais”, afirmou a Primeira-Ministra.

Exportações devem atingir 8,4 mil milhões USD

O Governo prevê que, em 2026, as exportações de bens ascendam a 8,4 mil milhões de dólares norte-americanos, um aumento apoiado pelo desempenho dos mega-projectos e pela retoma gradual da produção mineral, energética e agrícola.

“Estimamos que o valor das exportações de bens atinja cerca de 8,4 mil milhões de dólares, impulsionado pelos sectores da indústria extractiva, energia e agricultura”, declarou Levi.

Este crescimento será essencial para reforçar as reservas internacionais, estabilizar o metical e sustentar o financiamento das importações de bens essenciais.

Investimento externo deve ultrapassar 5,8 mil milhões USD

O PESOE 2026 antecipa também um aumento da confiança dos investidores estrangeiros, com o país a registar um fluxo de 5,8 mil milhões USD em investimento directo estrangeiro (IDE), acima dos 4,8 mil milhões USD projectados para 2025.

O Governo atribui esta evolução à retomada de projectos estruturantes nas áreas de energia, gás, mineração e infra-estruturas logísticas.

“Esperamos que, em 2026, o país registe um fluxo de investimento directo estrangeiro líquido de mais de 5,8 mil milhões de dólares, influenciado pelos grandes projectos nos sectores de energia e hidrocarbonetos”, destacou.

Crescimento económico de 2,8% e reservas internacionais de 3,2 mil milhões USD

A Primeira-Ministra apresentou ainda as previsões macroeconómicas centrais para 2026:

  • PIB: crescimento de 2,8%, influenciado pela indústria extractiva (4,4%), construção (3,2%), agricultura (2,5%), pescas (3,6%) e prestação de serviços (4,1%).

  • Reservas Internacionais Líquidas: deverão atingir 3,2 mil milhões de USD, garantindo 4,4 meses de cobertura de importações essenciais.

  • Inflação: expectativa de se manter num dígito, situando-se nos 7,3%.

“Apesar de limitações, estamos focados em assegurar reservas robustas, inflação controlada e um crescimento que permita proteger os sectores sociais e o investimento público”, afirmou Levi.

Durante a apresentação, Levi destacou que o país prevê arrecadar 407 mil milhões de meticais em receitas totais — cerca de 24,9% do PIB — e realizar despesas de 520,6 mil milhões MT, o equivalente a 31,8% do PIB.

A diferença gera um défice orçamental projectado de 7,0% do PIB, inferior ao índice estimado para 2025 (8,2%).

“Este défice representa uma redução importante e traduz o esforço que o Governo tem vindo a empreender para reforçar a sustentabilidade fiscal”, disse.

Prioridades económicas: energia, pescas, agricultura e infra-estruturas

Entre as metas sectoriais para 2026, Levi destacou:

Pescas

Crescimento previsto: 3,6%, apoiado por:

  • licenciamento de 1.400 unidades produtivas,

  • capacitação de 12.500 piscicultores e pescadores,

  • emissão de 12.600 licenças marítimas,

  • certificação de 78 mil toneladas de produtos pesqueiros.

Indústria Extractiva

Crescimento previsto: 4,4%, impulsionado por:

  • aumento da produção de carvão, areias pesadas, ouro e rubi;

  • entrada de novas concessões;

  • funcionamento da infra-estrutura integrada de GPL, gás natural e petróleo leve em Inhassoro.

Energia

Crescimento previsto: 7%, com expansão da produção eléctrica e novas centrais.

Infra-estruturas económicas

Plano inclui:

  • asfaltar 294 km de estradas nacionais;

  • reabilitar 15 km de diques contra cheias;

  • construir 12 estações de monitoria de recursos hídricos;

  • implantar 21 sistemas de abastecimento de água;

  • iniciar a construção do Porto de Pesca de Angoche.

No encerramento da intervenção, a Primeira-Ministra reforçou:

“Continuaremos a adoptar medidas para consolidar a estabilidade macro-económica, diversificar a economia e fortalecer o ambiente de negócios, assegurando que o crescimento beneficie todos os moçambicanos.”