O Reino Unido vai financiar, com 600 mil libras, o equivalente a 51 milhões de meticais, a assistência técnica ao Projecto Hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa, um dos maiores empreendimentos energéticos em desenvolvimento no continente africano. O apoio será executado pelo Tony Blair Institute for Global Change (TBI) e marca o início de uma nova fase de consolidação institucional e aceleração do processo financeiro e contratual.
O anúncio reforça o posicionamento de Mphanda Nkuwa como um activo estratégico para a segurança energética regional, com potencial para gerar 1500 MW e transformar Moçambique num dos principais produtores e exportadores de energia limpa da África Austral.
Apoio técnico chega num momento decisivo da estruturação financeira
O memorando de entendimento foi assinado em Maputo entre o Gabinete de Implementação do Projecto (GMNK) e o Alto-Comissariado Britânico, estabelecendo um período mínimo de seis meses de apoio especializado.
O director-geral do GMNK, Carlos Yum, destacou o impacto estrutural da assistência agora disponibilizada.
“Este apoio reforça a capacidade institucional e vai permitir acelerar actividades críticas para a fase financeira do projecto.”
Yum explicou que o foco recai agora na consolidação técnica e no reforço da coordenação entre Governo, parceiros e investidores, condição essencial para garantir uma transição segura para a fase de contratação e mobilização de capital.
Reino Unido destaca impacto transformador do projecto
O enviado comercial do Reino Unido para a África Austral, Calvin Bailey, afirmou que Mphanda Nkuwa representa um dos activos mais promissores da transição energética no continente.
“Mphanda Nkuwa é um empreendimento transformador para o sector energético da África Austral.”
Bailey sublinhou que a central hidroeléctrica poderá acelerar a expansão da energia limpa, reduzir custos regionais de electricidade e criar novas oportunidades de industrialização.
O reforço técnico ocorre semanas depois de o Governo moçambicano aprovar o decreto de concessão que atribui à Mphanda Nkuwa SA, consórcio liderado pela EDF, TotalEnergies e Sumitomo, a responsabilidade pela concepção, construção e operação da central e das infra-estruturas associadas.
A aprovação abriu espaço para avanços no modelo comercial, no plano de financiamento e nos mecanismos de governação, posicionando o projecto numa fase de elevada exigência técnica e coordenação multilateral.
Mega-projecto energético com impacto estrutural para Moçambique e para a SADC
Mphanda Nkuwa deverá:
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acrescentar 1500 MW ao sistema eléctrico nacional;
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reforçar a capacidade de exportação de energia para a SADC;
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reduzir custos energéticos e melhorar a fiabilidade do fornecimento;
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apoiar a expansão industrial e novos corredores económicos;
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aumentar receitas públicas e atrair investimento de longo prazo.
Enquanto activo estratégico, o projecto consolida a visão de Moçambique como hub energético regional, sustentado numa matriz renovável robusta e numa arquitectura institucional em reforço.
Com o apoio do TBI, o GMNK pretende acelerar:
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a modelação financeira final;
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o desenho comercial e contratual;
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a definição de mecanismos de governação;
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a preparação da documentação para captação de financiamento internacional;
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o alinhamento regulatório e ambiental para a fase de construção.
O Governo considera que esta assistência constitui um sinal de confiança internacional e uma etapa essencial para garantir a viabilidade financeira do maior projecto hidroeléctrico da África Austral.