O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Produção de cereais vai atingir 4,2 milhões de toneladas até 2029

Moçambique projecta aumentar a produção de cereais para 4,27 milhões até 2029, segundo o PQG 2025–2029. A meta representa um salto estrutural na produtividade agrícola, apoiado por irrigação, mecanização, sementes certificadas, extensão agrária e financiamento rural. O crescimento reforça segurança alimentar, reduz importações e gera excedentes para agro-indústria. A estratégia inclui expansão de unidades de processamento, redução de perdas pós-colheita e fortalecimento de cadeias de valor, consolidando a agricultura como motor económico e factor de estabilidade macroeconómica.

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Moçambique prepara-se para um dos maiores avanços agrícolas da última década, com a produção nacional de cereais projectada para crescer de 2,65 milhões de toneladas em 2024 para 4,27 milhões de toneladas até 2029. A meta, inscrita no Plano Quinquenal do Governo 2025–2029, reflecte uma aposta estratégica na produtividade, segurança alimentar e transformação estrutural do sector agrícola — responsável por grande parte do emprego e base do crescimento económico no meio rural.

Agricultura assume papel central no crescimento económico

A projecção representa um aumento superior a 1,6 milhão de toneladas em cinco anos, num contexto em que o Governo pretende acelerar a modernização agrícola e reforçar a resiliência das cadeias de produção. O crescimento da produção de cereais — incluindo milho, arroz, mapira e mexoeira — será determinante para:

  • Reduzir o peso das importações alimentares;

  • Estabilizar preços internos;

  • Aumentar excedentes para agro-indústria;

  • Expandir oportunidades de mercado para produtores rurais.

Economistas ouvidos pelo sector sublinham que o impulso produtivo terá impacto directo no PIB agrícola, no aumento de rendimento das famílias e na criação de empregos sazonais e permanentes.

Para alcançar o patamar de 4,2 milhões de toneladas, o Governo definiu um pacote de intervenções que incluem:

  • Expansão de áreas irrigadas para reduzir dependência da chuva;

  • Aumento da mecanização agrícola, com foco em tractores, alfaias e sistemas de pós-colheita;

  • Maior acesso a sementes certificadas, com prioridade para variedades de alto rendimento;

  • Financiamento rural orientado para pequenos e médios produtores;

  • Reforço da assistência técnica e de serviços de extensão agrária.

Os investimentos estão articulados com programas estruturantes, como o Sustenta, o Plano Nacional de Irrigação e iniciativas de desenvolvimento de cadeias de valor regionais.

Aposta na industrialização rural e redução de perdas pós-colheita

A meta de 4,2 milhões de toneladas até 2029 acompanha igualmente o objectivo de ampliar o processamento local de alimentos, reduzindo perdas pós-colheita — que em alguns distritos ultrapassam 30%. Com mais matéria-prima disponível, prevê-se a expansão de:

  • unidades de descasque e moagem,

  • fábricas de ração,

  • centros de armazenamento,

  • pequenos parques agro-industriais nas províncias produtoras.

O reforço destas cadeias produtivas permitirá transformar ganhos agrícolas em valor económico real, dinamizando o comércio rural e atraindo investimento privado.

Contribuição para a segurança alimentar e estabilidade macroeconómica

O aumento previsto da produção de cereais não beneficia apenas o sector agrícola: contribui para a estabilidade macroeconómica ao:

  • reduzir a factura de importação de alimentos,

  • aliviar pressões sobre preços,

  • melhorar a balança comercial,

  • estabilizar o rendimento das famílias.

As metas do PQG 2025–2029 enquadram-se, ainda, nos compromissos nacionais de combate à pobreza e promoção do desenvolvimento inclusivo, com forte impacto nas zonas rurais.

O alcance de 4,2 milhões de toneladas até 2029 sinaliza um potencial de transformação profunda no sector agrícola moçambicano. Se forem garantidos investimentos em produtividade, logística e infra-estruturas de mercado, a agricultura poderá assumir, nos próximos anos, um papel ainda mais decisivo no crescimento económico, contribuindo para um desenvolvimento mais equilibrado e sustentável.