O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Inflação anual desacelera para 4,38% em Novembro e reforça estabilidade económica

A inflação anual desacelerou para 4,38% em Novembro, segundo dados do INE, enquanto a inflação mensal foi de 0,29% e a acumulada atingiu 2,73%. A divisão de Alimentação continua a liderar as pressões de preço, embora em desaceleração. Tete, Inhambane e Chimoio registaram variações locais mais elevadas. A tendência reforça previsibilidade macroeconómica e melhora o ambiente para investimento, execução fiscal e estabilidade do poder de compra. O Governo espera entrar em 2026 com maior resiliência económica, sustentada por reformas estruturais e controlo das expectativas de preço.

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A economia moçambicana registou, em Novembro, um dos sinais mais consistentes de estabilidade macroeconómica dos últimos meses: a inflação homóloga desacelerou para 4,38%, continuando abaixo do intervalo de dois dígitos e reflectindo menor pressão sobre os preços domésticos. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e referem-se ao comportamento dos preços nas oito cidades que compõem o IPC Nacional.

A inflação mensal fixou-se em 0,29%, enquanto a inflação acumulada de Janeiro a Novembro atingiu 2,73%, mantendo-se igualmente em níveis moderados. O desempenho indica um ambiente favorável para o planeamento económico, execução de investimentos e controlo das expectativas de preço.

Alimentação continua a ser o principal factor de pressão, mas em desaceleração

De acordo com o INE, a divisão de Alimentação e bebidas não alcoólicas foi a que mais contribuiu para a variação mensal, adicionando 0,15 pontos percentuais à inflação nacional.

Os produtos com maiores aumentos foram:

  • Tomate: +6,5%

  • Coco: +11,2%

  • Peixe seco: +0,9%

  • Refeições completas em restaurantes: +1,1%

  • Motorizadas: +2,6%

  • Sumos de fruta: +1,5%

Por outro lado, alguns produtos contribuíram para travar maiores aumentos de preços, nomeadamente:

  • Alface: –9,3%

  • Couve: –2,3%

  • Farinha de milho: –0,8%

  • Telemóveis: –1,1%

  • Frango morto inteiro: –1,1%

Tete, Quelimane e Inhambane registam maiores pressões locais

A análise por centro de recolha confirma assimetrias regionais:

  • Província de Inhambane: 0,88%

  • Cidade de Tete: 0,63%

  • Cidade de Chimoio: 0,47%

  • Cidade da Beira: 0,28%

  • Cidade de Xai-Xai: 0,25%

  • Cidade de Nampula: 0,21%

  • Cidade de Quelimane: 0,15%

  • Cidade de Maputo: 0,08%

Apesar dos diferentes pesos, todas as cidades registaram aumento de preços em Novembro.

Comportamento acumulado reforça tendência de estabilidade

Até Novembro, a inflação acumulada atingiu 2,73%, com maior contribuição das divisões:

  • Alimentação e bebidas não alcoólicas: +1,42 pp

  • Restaurantes, hotéis, cafés e similares: +0,68 pp

Entre os produtos com maior impacto acumulado destacam-se:

  • Peixe seco

  • Refeições completas

  • Pão de trigo

  • Carapau

  • Arroz em grão

  • Sabão em barra

O conjunto destes produtos contribuiu com 1,77 pontos percentuais para a inflação acumulada.

Inflação homóloga de 4,38% reforça previsibilidade económica

Em comparação com Novembro de 2024, os preços cresceram 4,38%, ritmo inferior ao observado em vários períodos recentes. As maiores variações homólogas verificaram-se nas divisões:

  • Alimentação e bebidas não alcoólicas: 9,52%

  • Restaurantes e hotéis: 9,40%

Do ponto de vista económico, uma inflação anual controlada e estável tende a:

  • melhorar o ambiente de negócios,

  • reforçar a previsibilidade para investidores,

  • facilitar a gestão fiscal e monetária,

  • proteger parcialmente o poder de compra das famílias.

Com a inflação controlada, expectativas ancoradas e reformas económicas em curso, Moçambique entra no final de 2025 com sinais positivos de estabilização interna. A trajectória actual indica que o país poderá iniciar 2026 com maior espaço para:

  • estímulo ao investimento privado,

  • aceleração produtiva,

  • execução de grandes projectos públicos,

  • maior resiliência a choques externos.

A consolidação deste ambiente dependerá, no entanto, da evolução dos preços internacionais dos alimentos e combustíveis, da robustez da produção interna e da eficácia das políticas fiscal e monetária.