A Missão Empresarial a Portugal marcou um dos momentos mais relevantes da presença moçambicana na VI Cimeira Bienal Portugal-Moçambique, com a realização do Fórum de Negócios Portugal-Moçambique. O encontro reuniu empresas, instituições financeiras e representantes governamentais dos dois países, reforçando a agenda de cooperação económica e investimento bilateral.
O Presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA), Álvaro Massingue, participou no painel dedicado ao “Ambiente de Negócios e Instrumentos Financeiros de Apoio ao Investimento”, onde apresentou a visão e as prioridades do sector privado moçambicano para dinamizar o crescimento económico.
Avanços reconhecidos, mas desafios persistem
Na sua intervenção, Massingue ressaltou progressos recentes que têm contribuído para melhorar o ambiente de negócios em Moçambique, destacando:
• a digitalização de diversos serviços públicos;
• avanços no diálogo público-privado;
• reformas para simplificação de processos;
• maior abertura ao investimento estrangeiro.
Apesar disso, sublinhou que persistem desafios que precisam de resposta rápida e estrutural. Entre eles, apontou:
• burocracia ainda pesada em sectores chave;
• custos logísticos elevados, que reduzem competitividade;
• necessidade de maior estabilidade regulatória;
• combate à informalidade e integração de MPMEs na economia formal.
Estes factores, defendeu, continuam a limitar a velocidade de expansão das empresas e a capacidade de atrair capital internacional em grande escala.
Moçambique mantém vantagens estratégicas para investimento
Massingue destacou também os elementos estruturais que colocam Moçambique numa posição privilegiada para atrair investimentos:
• localização estratégica com três corredores logísticos de alcance regional;
• acesso a seis países sem costa marítima;
• 2 700 km de litoral apto para portos, pesca, turismo e economia azul;
• recursos naturais abundantes e diversificados;
• disponibilidade hídrica com forte potencial hidroeléctrico;
• população jovem, empreendedora e aberta à tecnologia.
Segundo o dirigente da CTA, o país reúne condições únicas para desenvolver cadeias de valor industriais, energéticas, logísticas e agro-transformadoras, desde que o financiamento adequado esteja disponível.
Sector privado identifica cinco instrumentos financeiros prioritários
Para acompanhar o ritmo das oportunidades e desbloquear o crescimento, o sector privado moçambicano apontou cinco necessidades centrais:
Financiamento acessível e de longo prazo, que permita projectos industriais e infra-estruturais de maturação lenta.
Fundos de garantia e instrumentos de partilha de risco, essenciais para reduzir o custo de capital e incentivar o crédito às pequenas e médias empresas.
Linhas de crédito bilaterais Moçambique-Portugal, com condições competitivas e enquadramento flexível para empresas dos dois países.
Financiamento para inovação, digitalização e economia verde, áreas críticas para aumentar produtividade e competitividade.
Instrumentos de apoio às exportações, incluindo factoring, seguro de crédito, financiamento do comércio externo e soluções cambiais.
O empresariado moçambicano considera que a presença de capital português em instituições financeiras que operam no país cria margem para desenvolver mecanismos financeiros mistos, bilaterais ou multilaterais, que possam ser estruturados e canalizados através desses bancos.
Segundo Massingue, esta articulação poderá viabilizar projectos de investimento em sectores estratégicos, fortalecer pequenas e médias empresas e impulsionar uma nova etapa de cooperação económica entre Moçambique e Portugal.