Moçambique prepara-se para reforçar a sua capacidade de geração eléctrica em 450 megawatts, com a retoma das obras da Central Térmica de Temane (CTT), localizada no distrito de Inhassoro, província de Inhambane. O relançamento do projecto resulta da contratação de uma nova empreiteira internacional para concluir a central a gás natural, considerada estratégica para a estabilidade e segurança energética do país.
As obras estavam suspensas desde Abril, na sequência de um impasse contratual com o anterior construtor. Com a nova contratação, o projecto entra numa nova fase de execução, após vários adiamentos acumulados desde 2024.
A Central Térmica de Temane, com participação da Globeleq enquanto líder do consórcio, formalizou um contrato com a empresa ENKA İnşaat ve Sanayi A.Ş, grupo internacional de engenharia e construção cotado na Bolsa de Istambul, na Turquia. O acordo foi assinado a 5 de Dezembro, abrindo caminho para a retoma efectiva dos trabalhos no estaleiro.
De acordo com a informação oficial do projecto, a nova empreiteira compromete-se a concluir as obras num prazo estimado de 23 meses, o que aponta para o início do comissionamento operacional apenas em 2027, implicando nova revisão do calendário inicialmente previsto.
Projecto acumula atrasos desde 2024
O empreendimento tem registado sucessivos adiamentos nos últimos anos, resultantes de factores técnicos, financeiros e ambientais, incluindo a passagem de ciclones pela província de Inhambane. O contrato com o anterior empreiteiro, a empresa espanhola TSK, foi interrompido em Dezembro de 2024, quando a execução física da obra se encontrava em cerca de 80%.
Antes da suspensão, as previsões apontavam para o início do comissionamento no segundo ou terceiro trimestre de 2025 e para a entrada em funcionamento em Fevereiro de 2026, metas que deixaram de ser válidas após a interrupção dos trabalhos.
Investimento estruturante para o sistema eléctrico nacional
O projecto da Central Térmica de Temane representa um investimento estimado em 41,6 mil milhões de meticais e inclui a instalação de:
O investimento contempla ainda uma linha de transmissão de 400 kV, com 563 quilómetros de extensão, ligando Maputo a Vilanculos, elemento fundamental para a integração da nova capacidade de geração na rede nacional de transporte de energia.
Impacto em projectos associados
Os atrasos na central têm impacto directo noutros projectos energéticos complementares, nomeadamente o Temane Transmission Project (TTP), com mais de 500 quilómetros de extensão, bem como em actividades previstas no âmbito do Acordo de Partilha de Produção (PSA) associado ao aproveitamento do gás natural.
A Globeleq enfrenta igualmente constrangimentos noutros empreendimentos no país, incluindo a Central Eólica de Namaacha, com capacidade prevista de 120 MW e um investimento avaliado em 17,3 mil milhões de meticais, cuja construção estava inicialmente programada para o segundo semestre de 2024.
A Central Térmica de Temane é desenvolvida no quadro de uma parceria público-privada entre a Globeleq, a Electricidade de Moçambique (EDM) e a Sasol, beneficiando de uma concessão de 25 anos.
Quando concluída, a central deverá desempenhar um papel determinante no reforço da oferta de energia eléctrica, na redução do défice energético e no apoio ao crescimento da actividade económica, industrial e de serviços, consolidando o gás natural como pilar da matriz energética nacional.