O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Crédito à economia aproxima-se de 270 mil milhões de meticais

O crédito bancário concedido à economia moçambicana atingiu cerca de 3,9 mil milhões de euros em Outubro de 2025, o equivalente a quase 270 mil milhões de meticais, aproximando-se do máximo histórico. Segundo dados do Banco de Moçambique, a evolução mantém-se estável em termos homólogos e confirma uma trajectória de crescimento moderado, num contexto de descida gradual das taxas de juro e inflação controlada.

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O crédito bancário concedido à economia moçambicana registou uma ligeira expansão em Outubro de 2025, atingindo cerca de 3,9 mil milhões de euros, o equivalente a quase 270 mil milhões de meticais, valor muito próximo do máximo histórico observado em Maio do mesmo ano.
Os dados constam do mais recente relatório estatístico do Banco de Moçambique.

Segundo informação divulgada pela Lusa, em termos homólogos, o volume de crédito manteve-se praticamente estávelface a Outubro de 2024, quando se situava em 3,8 mil milhões de euros. Em comparação com Setembro de 2025, a evolução também foi marginal, confirmando uma trajectória de crescimento moderado do financiamento bancário à economia.

Particulares lideram acesso ao crédito

O sector dos particulares manteve-se como o principal destinatário do crédito bancário, concentrando 1,4 mil milhões de euros em Outubro.
Seguiram-se os transportes e comunicações, com 337 milhões de euros, a indústria transformadora, com 310 milhões de euros, e o comércio, que absorveu 318 milhões de euros.

A distribuição sectorial evidencia uma preferência do sistema bancário por segmentos com menor risco relativo, mantendo-se ainda limitada a expansão do crédito para sectores produtivos com maior potencial de transformação estrutural da economia.

Em paralelo, a taxa de juro de referência para o crédito bancário (prime rate) voltou a descer em Janeiro de 2026, fixando-se em 15,70%, consolidando uma tendência de alívio gradual iniciada em Janeiro de 2024, após um período prolongado de estabilidade em torno dos 24,1%.

Esta evolução reflecte as sucessivas decisões de política monetária do Banco Central. Em Novembro de 2025, o Banco de Moçambique reduziu a taxa MIMO, a sua taxa directora, de 9,75% para 9,5%, correspondendo ao 11.º corte consecutivo, apesar das preocupações associadas aos atrasos no pagamento da dívida pública interna.

Expectativa em torno da próxima decisão monetária

Em Outubro de 2025, a inflação anual situou-se em 4,8%, ligeiramente abaixo dos 4,9% registados em Setembro, mantendo-se dentro de níveis considerados compatíveis com a estabilidade macroeconómica.

O Banco de Moçambique projecta que a inflação permaneça em valores de um dígito no médio prazo, embora reconheça a existência de riscos fiscais, cambiais e financeiros que podem condicionar o comportamento dos preços e o espaço de manobra da política monetária.

A próxima reunião do Comité de Política Monetária está agendada para 28 de Janeiro de 2026, ocasião em que serão reavaliadas as condições macroeconómicas e financeiras, bem como a possibilidade de novos ajustamentos da taxa directora.

O comportamento do crédito, das taxas de juro e da inflação continuará a ser determinante para o equilíbrio entre estímulo à economia e preservação da estabilidade financeira, num contexto ainda marcado por constrangimentos fiscais e externos.