O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Presidente Chapo apresenta potencial energético de Moçambique em Abu Dhabi

Durante a Semana de Sustentabilidade em Abu Dhabi, o Presidente Daniel Chapo apresentou o potencial energético de Moçambique, destacando quatro grandes projectos de gás natural avaliados em cerca de 50 mil milhões de dólares, liderados por empresas como ENI, TotalEnergies e ExxonMobil. Reafirmou o compromisso com a transição energética através de projectos hidroeléctricos como Mphanda Nkuwa (1.500 MW) e Cahora Bassa Norte (400 MW). Sublinhou ainda o papel estratégico dos corredores logísticos de Maputo, Beira e Nacala para impulsionar o desenvolvimento económico e atrair investimento internacional. A agenda reforça Moçambique como futuro polo energético e logístico da África Austral.

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O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, apresentou, no dia 13 de Janeiro de 2026, o potencial energético e estratégico de Moçambique durante uma Reunião de Alto Nível realizada em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, à margem da Semana de Sustentabilidade. A intervenção teve como objectivo destacar as oportunidades de investimento e reforçar a imagem do país como futuro polo energético e logístico da região.

Na sua exposição, o Chefe do Estado sublinhou que Moçambique conta actualmente com quatro projectos estruturantes de gás natural, liderados por empresas de referência mundial. Entre estes, destacou‑se o papel da italiana ENI, responsável pelos projectos Coral Sul e Coral Norte, ambos localizados na província de Cabo Delgado e avaliados em cerca de 15 mil milhões de dólares norte‑americanos.

Paralelamente, a TotalEnergies e a ExxonMobil lideram projectos de dimensão semelhante, orçados cada um em aproximadamente 20 mil milhões de dólares. No seu conjunto, estima‑se que estes investimentos venham a gerar cerca de 50 mil milhões de dólares na economia moçambicana nos próximos anos, com forte impacto na criação de emprego, industrialização e desenvolvimento económico.

Aposta em energia limpa e expansão hidroeléctrica

O Presidente Chapo reafirmou o compromisso de Moçambique com a transição energética, destacando a aposta crescente em fontes limpas, em particular a energia hidroeléctrica. Recordou que, além da histórica Barragem de Cahora Bassa, o país prepara‑se para avançar com a construção da central hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa, na província de Tete, com capacidade prevista de 1.500 megawatts e conclusão estimada para 2031.

Outra infra‑estrutura de grande relevância é a futura central norte da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, que adicionará 400 megawatts ao sistema eléctrico nacional, com conclusão prevista para 2032. Estes projectos reforçam a ambição de Moçambique em garantir segurança energética interna e aumentar a sua capacidade de exportação.

Na área do gás, o Chefe do Estado referiu que a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) está a procurar novos parceiros para a instalação de plantas de processamento de gás, destinadas a suprir a crescente procura regional. Entre os principais mercados identificados encontram‑se África do Sul, Malawi, Zimbabwe, Zâmbia e Eswatini, países que dependem de Moçambique como fornecedor seguro e competitivo de energia.

Energias renováveis e oportunidades africanas

O Presidente destacou ainda o enorme potencial africano no domínio das energias renováveis, incluindo solar e eólica, defendendo o investimento em infra‑estruturas que acelerem a transição energética no continente. Salientou que Moçambique encontra‑se particularmente bem posicionado para aproveitar estas oportunidades devido à sua diversidade de recursos naturais.

Durante a sua intervenção, Chapo realçou também a importância dos três grandes corredores logísticos de Moçambique:

  • Corredor de Maputo, desenvolvido em parceria com a DP World;
  • Corredor da Beira, que serve grande parte da África Austral;
  • Corredor de Nacala, considerado um dos mais profundos do continente.

Estes corredores permitem ao país posicionar‑se como plataforma logística essencial para a região, facilitando o escoamento de mercadorias e atraindo investimento externo.

A presença do Presidente Chapo em Abu Dhabi reforça a estratégia do Governo de promover o desenvolvimento sustentável, atrair capital internacional e consolidar Moçambique como polo energético e logístico de referência na África Austral. A participação nesta reunião de alto nível expressa o compromisso do país em abrir‑se a novas parcerias e fortalecer a sua integração na economia global.