Moçambique prepara-se para receber mais de 300 milhões de dólares norte‑americanos destinados a novos investimentos estratégicos nos sectores da energia e da aviação, reforçando a posição do país como um dos principais polos emergentes de desenvolvimento na África Austral. O anúncio surge no seguimento da participação do Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, numa Reunião de Alto Nível realizada a 13 de Janeiro de 2026, em Abu Dhabi, à margem da Semana de Sustentabilidade, onde apresentou o potencial energético e logístico nacional.
Segundo a informação partilhada pelo Chefe do Estado, Moçambique possui actualmente quatro grandes projectos estruturantes de gás natural, liderados por empresas de referência mundial, incluindo a italiana ENI, que desenvolve os projectos Coral Sul e Coral Norte, avaliados em cerca de 15 mil milhões de dólares.
Paralelamente, a TotalEnergies e a ExxonMobil lideram iniciativas que ultrapassam os 20 mil milhões de dólares cada. No total, o país deverá movimentar cerca de 50 mil milhões de dólares nos próximos anos associados ao sector energético, impulsionando crescimento económico, industrialização e criação de emprego.
O Governo confirmou que parte dos 300 milhões de dólares recentemente mobilizados será aplicada na expansão de infra‑estruturas energéticas, com enfoque na aceleração da transição para energias limpas e na resposta à crescente procura regional.
Hidroeléctricas ganham prioridade
O Presidente sublinhou o avanço da central hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa, na província de Tete, um dos maiores projectos de energia limpa em desenvolvimento na África Austral, com capacidade estimada em 1.500 megawatts e conclusão prevista para 2031.
Outra prioridade é a construção da central norte da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, que acrescentará 400 megawatts adicionais à capacidade nacional a partir de 2032.
Estes investimentos permitirão a Moçambique consolidar‑se como fornecedor energético estratégico para países vizinhos como África do Sul, Malawi, Zimbabwe, Zâmbia e Eswatini, cuja procura de gás e energia eléctrica continua a crescer.
Parte do pacote de mais de 300 milhões de dólares será igualmente destinada ao sector da aviação, considerado pelo Governo como essencial para a competitividade dos três grandes corredores logísticos nacionais: Maputo, Beira e Nacala.
Moçambique pretende reforçar:
- a modernização de aeroportos estratégicos,
- a melhoria da navegação aérea,
- a expansão das ligações internacionais,
- e a integração da aviação com os projectos energéticos e mineiros, garantindo maior eficiência logística.
Os investimentos permitirão aumentar a capacidade de transporte de passageiros e carga, facilitando operações relacionadas com projectos industriais, petróleo e gás, turismo, agricultura e exportações.
Corredores logísticos consolidam papel regional
Na sua apresentação, o Presidente Chapo destacou a vantagem geoestratégica de Moçambique, que dispõe de três corredores de desenvolvimento que ligam o interior do continente ao Oceano Índico:
- Corredor de Maputo, desenvolvido em parceria com a DP World;
- Corredor da Beira;
- Corredor de Nacala.
Estes corredores são fundamentais para a entrada e saída de mercadorias, servindo vários países vizinhos sem acesso ao mar e posicionando Moçambique como plataforma logística central na região austral.
O Governo reafirmou que Moçambique continuará a apostar na combinação entre:
- energias renováveis (solar, eólica e hidroeléctrica),
- gás natural como combustível de transição,
- e infra‑estruturas logísticas modernas,
com o objectivo de criar um ambiente mais competitivo para investidores e tornar o país um polo de inovação e sustentabilidade energética.
A participação em Abu Dhabi reforça esta estratégia, ao abrir portas a novas parcerias e ao posicionar Moçambique como destino de referência para investimento internacional.
Com mais de 300 milhões de dólares já assegurados para projectos de energia e aviação — e cerca de 50 mil milhões de dólares previstos para circular na economia nos próximos anos graças ao gás natural — o país entra numa fase decisiva para:
- aumentar a sua capacidade produtiva,
- diversificar exportações,
- modernizar infra‑estruturas,
- e consolidar o seu papel como potência energética e logística regional.
A estratégia governamental aposta em desenvolvimento sustentável, integração regional e melhoria das condições socioeconómicas para todos os moçambicanos.