O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Banco de Moçambique baixa taxa de juro de 9,50% para 9,25%

O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique reduziu a taxa de juro de política monetária (MIMO) de 9,50% para 9,25%, sustentando a decisão nas perspectivas de manutenção da inflação em um dígito no médio prazo. Apesar da medida, o CPMO alertou para o fim próximo do ciclo de reduções iniciado em 2024, devido a riscos associados às inundações recentes e às tensões comerciais e geopolíticas. Em Dezembro de 2025, a inflação anual fixou-se em 3,2%, confirmando a tendência de desaceleração, apoiada pela estabilidade do Metical e pela evolução favorável dos preços internacionais.

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O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu reduzir a taxa de juro de política monetária (MIMO) de 9,50% para 9,25%, sustentando a medida nas perspectivas de manutenção da inflação em um dígito no médio prazo.

Apesar da decisão, o CPMO alertou que se aproxima o fim do ciclo de reduções iniciado em Janeiro de 2024, devido ao agravamento dos riscos e incertezas associados às projecções da inflação, nomeadamente as inundações recentes e a intensificação das tensões comerciais e geopolíticas.

Em Dezembro de 2025, a inflação anual fixou‑se em 3,2%, após 4,4% em Novembro, confirmando a tendência de desaceleração. A inflação subjacente, que exclui frutas, vegetais e bens com preços administrados, também registou queda.

A manutenção das perspectivas de inflação em um dígito reflecte, essencialmente, a estabilidade do Metical, a evolução favorável dos preços internacionais das mercadorias e uma procura interna contida.

Crescimento económico e riscos internos

No terceiro trimestre de 2025, o PIB excluindo o GNL contraiu 1,3%, após uma queda de 1,7% no trimestre anterior. Incluindo o GNL, a contracção foi de 0,9%. Para o médio prazo, antevê‑se uma recuperação gradual da actividade económica, embora a um ritmo mais lento devido aos choques climáticos.

O endividamento público interno continua a agravar‑se, situando‑se em 485 mil milhões de meticais, um aumento de 11,1 mil milhões face a Dezembro de 2025. Os atrasos no pagamento da dívida pública pelo Estado têm afectado o funcionamento do mercado financeiro, reduzindo a apetência por títulos públicos e mantendo a rigidez das taxas de juro interbancárias.

Entre os riscos externos, o CPMO destaca o agravamento das tensões comerciais e geopolíticas, susceptíveis de influenciar os preços das mercadorias e alimentos.

A direcção da política monetária continuará condicionada à avaliação permanente dos riscos e incertezas subjacentes às projecções da inflação.

A próxima reunião ordinária do Comité de Política Monetária está marcada para 30 de Março de 2026.