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Ministro da Planificação defende transição de cooperação por projectos para plataforma orientada a resultados

O Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, defendeu na Conferência Moçambique–Países Nórdicos a transição da cooperação internacional de projectos dispersos para uma plataforma estratégica orientada a resultados. A proposta está alinhada à Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–2044, que sustenta reformas e investimentos de longo prazo. Valá destacou juventude, mulheres e PME’s como activos centrais e anunciou a criação do Fundo de Empoderamento Económico da Mulher. Sublinhou ainda a necessidade de transição verde e responsabilidade inter geracional, reforçando que cooperação deve focar menos em volume de ajuda e mais em transformação mensurável.

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O Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, defendeu a transição da cooperação internacional baseada em projectos dispersos para uma plataforma estratégica orientada a resultados, mobilização de capital e responsabilidade inter‑geracional.

Na abertura da Conferência Moçambique–Países Nórdicos, Valá classificou o momento como de “intercruzamento entre desafios de vulto, múltiplas oportunidades e o momento apropriado para mudanças”. Sublinhou que a cooperação não pode permanecer ancorada em modelos fragmentados ou meramente assistencialistas.

Da ajuda fragmentada à plataforma estratégica

O Ministro propôs que a cooperação seja alinhada à Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–2044 (ENDE), apresentada como arquitectura de longo prazo que sustenta reformas, orienta investimentos e cria confiança.

“Moçambique quer previsibilidade estratégica, não apenas fluxos financeiros”, afirmou Valá.

Valá identificou os maiores activos do país:

  • Juventude – 66,7% da população abaixo dos 25 anos.
  • Mulheres – com potencial económico pleno.
  • Micro, pequenas e médias empresas (PME’s) – motor da economia interna.

Anunciou ainda o trabalho em curso para a criação do Fundo de Empoderamento Económico da Mulher, deslocando o centro da política económica do extractivismo para o capital humano e o tecido empresarial interno.

O Ministro destacou a consolidação de instrumentos como:

  • Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL).
  • Fundo de Garantia Mutuária (FGM).
  • Fundo de Recuperação Económica (FRE).
  • Banco de Desenvolvimento.
  • Caixa Económica.

A ambição é ampliar o acesso ao crédito, dinamizar territórios e reforçar o papel das PME’s como motor da diversificação produtiva.

Transição verde e responsabilidade inter geracional

Valá defendeu que a transição para uma economia verde é uma necessidade estratégica, com prioridades em energias renováveis, agricultura resiliente, economia circular e financiamento climático.

“Como assegurar que os recursos naturais resultem em responsabilidade inter‑geracional e não numa maldição?”, questionou, referindo‑se directamente ao Fundo Soberano.

O Ministro reafirmou o compromisso com o Diálogo Nacional Inclusivo, como condição para estabilidade política e confiança institucional. Reconheceu desafios internos – terrorismo em Cabo Delgado, fenómenos climáticos extremos e polarização social – mas sublinhou a resiliência histórica do país.

No fecho, Valá foi enfático:

“A cooperação deve ser menos sobre volume de ajuda e mais sobre escala de transformação; menos sobre actividades e mais sobre resultados mensuráveis.”