Moçambique deu um passo decisivo na construção de uma economia mais competitiva, segura e alinhada com padrões internacionais, com a realização da 2.ª Conferência Nacional da Qualidade, em Maputo. O encontro, promovido pelo INNOQ, IP, reuniu decisores públicos, especialistas e representantes do sector privado, para definir prioridades que reforcem a Infra-estrutura Nacional da Qualidade, considerada estratégica para a industrialização e para o fortalecimento do ambiente de negócios.
A sessão de abertura destacou que a qualidade é, hoje, um pilar essencial do desenvolvimento económico, determinante para elevar a confiança dos investidores, reduzir riscos operacionais e aumentar a produtividade dos sectores produtivos.
O Director-Geral do INNOQ, IP, Geraldo Albasini, sublinhou que a consolidação da Qualidade é indispensável para melhorar o desempenho das empresas e reforçar a segurança dos consumidores.
“A aplicação das Normas Técnicas Moçambicanas tem garantido certificação, segurança, confiança e melhoria contínua.”
Albasini destacou o compromisso das empresas que mantêm os seus ciclos de certificação e valorizou o contributo dos parceiros que promovem uma cultura nacional de qualidade. Para o dirigente, tornar o ambiente económico “mais fácil, seguro e melhor” exige disciplina técnica, modernização dos processos produtivos e adopção sistemática de boas práticas por parte de todos os actores económicos.
Governo aponta Qualidade como catalisador da industrialização e do investimento
O Ministro da Economia, Basílio Muhate, afirmou que o Sistema Nacional da Qualidade deve funcionar como um instrumento central para transformar o ambiente económico e impulsionar a competitividade nacional.
“As normas, a metrologia e a avaliação da conformidade são instrumentos essenciais para impulsionar a industrialização, atrair investimento e elevar o valor do ‘Made in Mozambique’.”
Segundo o governante, o alinhamento aos padrões internacionais é indispensável para fortalecer a capacidade produtiva, reduzir assimetrias e aumentar o valor acrescentado da produção nacional.
Sector privado exige eficiência, redução de custos e padrões internacionais
O Presidente da CTA, Álvaro Massingue, alertou que a economia moçambicana só poderá competir com solidez nos mercados regional e global através da modernização dos processos empresariais e da adopção de padrões internacionais.
“A excelência operacional é decisiva para posicionar Moçambique de forma sólida nos mercados internacionais.”
Massingue salientou que o envolvimento activo das empresas no Sistema Nacional da Qualidade é fundamental para diversificar a economia, reduzir custos técnicos e fortalecer a credibilidade dos produtos moçambicanos.
Qualidade ganha relevância na aviação, no turismo e nas operações portuárias
A gestão da qualidade foi destacada como factor determinante em sectores estratégicos. Almira Manhique, do Instituto de Aviação Civil de Moçambique, salientou que a adopção rigorosa de normas é essencial para garantir segurança, eficiência e conformidade regulatória no sector aeronáutico.
No turismo, Gilberto Hunguana, da Direcção Nacional do Turismo, destacou que a qualificação dos serviços é crucial para reforçar a competitividade do destino Moçambique e garantir confiança aos visitantes.
Por sua vez, Bibi Ibrahimo, da empresa Terminais do Norte, explicou que normas internacionais de saúde e segurança, como a ISO 45001, permitem operações portuárias mais eficientes e seguras, reduzindo riscos e custos operacionais.
Conformidade, acreditação e metrologia fortalecem competitividade nacional
A avaliação da conformidade foi apontada como elemento-chave para a fiabilidade das infra-estruturas nacionais. Domingos Zunguze, do INNOQ, afirmou que o controlo rigoroso dos materiais de construção é essencial para garantir obras seguras e duradouras.
Ana Paula Mandlaze destacou que a acreditação desempenha um papel decisivo no reconhecimento internacional de resultados laboratoriais, sobretudo no contexto da Zona de Comércio Livre Continental Africana.
Já Carlos Mavila reforçou que a metrologia é central para a eficiência industrial, assegurando medições exactas, controlo de qualidade e processos produtivos mais competitivos.