O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Banco de Moçambique reduz taxa MIMO de 9,75% para 9,50%

O Banco de Moçambique anunciou a redução da taxa de juro MIMO de 9,75% para 9,50%, numa decisão moderada influenciada pelo aumento dos riscos inflacionários e pelo atraso no pagamento dos instrumentos da dívida pública interna. O Comité de Política Monetária alertou que estes atrasos podem afectar a liquidez do sistema financeiro, elevar custos de financiamento e influenciar as expectativas de inflação.

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O Banco de Moçambique reduziu a taxa de juro de política monetária (taxa MIMO) de 9,75% para 9,50%, numa decisão anunciada pelo Comité de Política Monetária (CPMO) esta sexta-feira, 14 de Novembro de 2025.

A decisão representa uma redução moderada, adoptada num contexto de riscos acrescidos e incertezas sobre a trajectória da inflação, num período marcado por pressões fiscais e pela execução irregular da dívida interna.

Segundo o CPMO, o principal factor para a decisão foi o atraso no pagamento dos instrumentos da dívida pública interna, situação que tem potencial para:

  • afectar a liquidez no sistema financeiro;

  • aumentar os custos de financiamento;

  • influenciar expectativas inflacionárias;

  • introduzir incertezas na actividade dos bancos comerciais.

O banco central alerta que, apesar de a inflação se manter relativamente estável, o cenário continua sensível a choques de curto prazo, exigindo prudência na orientação da política monetária.

Redução moderada pretende equilibrar crédito e estabilidade

Com a descida da MIMO, o Banco de Moçambique pretende:

  • apoiar o dinamismo económico;

  • reduzir ligeiramente o custo do crédito;

  • reforçar a previsibilidade das taxas de juro;

  • manter a inflação dentro de limites seguros.

A redução limitada reflecte a postura de cautela monetária, evitando pressões adicionais sobre o câmbio, enquanto procura estimular o crédito produtivo para sectores essenciais da economia.

MIMO permanece como instrumento-chave da política monetária

A taxa MIMO é o principal instrumento usado pelo banco central para regular a liquidez e orientar as taxas de juropraticadas pelos bancos comerciais.

O seu ajustamento influencia:

  • o custo dos empréstimos;

  • as taxas interbancárias;

  • o nível de liquidez do mercado financeiro.

A descida para 9,50% sinaliza a continuidade de uma política monetária prudente e calibrada, num ambiente marcado por vulnerabilidades fiscais.

O CPMO sublinha que continuará a monitorizar de forma contínua:

  • os factores que afectam a inflação;

  • a evolução da liquidez;

  • a estabilidade financeira.

O banco central admite que novos ajustamentos poderão ser feitos caso o ambiente macroeconómico exija uma resposta adicional.

A instituição reafirma, assim, o compromisso com uma política monetária previsível, responsável e orientada para a estabilidade, num momento em que o país enfrenta desafios relevantes na gestão da dívida interna e das contas públicas.