O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Sasol procura no gás a solução para estabilizar a produção e cumprir metas ambientais

A petrolífera sul-africana Sasol está a recentrar a sua estratégia energética no gás natural, numa tentativa de estabilizar a produção, evitar riscos de ruptura no fornecimento e responder às exigentes metas ambientais que ameaçam a continuidade da mega-instalação de Secunda. A empresa admite que a dependência do carvão se tornou insustentável e que a pressão regulatória internacional e nacional coloca em causa a viabilidade das operações caso a descarbonização não seja acelerada.

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A Sasol admite que a dependência do carvão se tornou economicamente e ambientalmente insustentável. A intensificação das normas climáticas internacionais e as exigências do Governo sul-africano colocam em causa a viabilidade da operação se a empresa não acelerar o processo de descarbonização.

Para evitar um encerramento prematuro, que colocaria em risco milhares de empregos e a segurança energética nacional, a Sasol defende uma substituição gradual do carvão por gás.

Gás sintético e gás natural como solução intermédia para a transição

A estratégia energética da empresa assenta na utilização de gás sintético e gás natural como combustíveis de transição. A Sasol argumenta que estes combustíveis:

  • emitem menos carbono do que o carvão;

  • permitem aproveitar a infraestrutura já existente;

  • reduzem os custos imediatos de adaptação tecnológica;

  • garantem continuidade na produção enquanto as energias limpas amadurecem.

Para a empresa, o gás é a escolha mais pragmática, num país que continua a enfrentar crises recorrentes de fornecimento eléctrico e que ainda não dispõe de alternativas de grande escala que permitam abandonar o carvão por completo.

A mudança na estratégia energética da Sasol tem impacto directo em Moçambique, onde a empresa opera projectos essenciais de:

  • produção de gás natural,

  • transporte e distribuição,

  • processamento,

  • abastecimento industrial para a África do Sul.

Qualquer alteração na política energética sul-africana afecta:

  • o volume de gás exportado por Moçambique;

  • novos investimentos industriais ligados ao gás;

  • a expansão da rede de processamento;

  • a integração energética regional.

Moçambique, como fornecedor estratégico, acompanha o debate com atenção, sobretudo num momento em que o país se afirma como pilar energético da África Austral.